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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Acupuntura Quântica.

Imagine que tudo de material que está a sua volta já foi o sonho de alguém; alguém sonhou e depois tornou esse sonho realidade, não em passos gigantescos, mas em pequenos sonhos, muito próximos, que foram se materializando aos poucos. Tudo que vemos a nossa volta não tem nada de fantástico, são sonhos que vamos sonhando e realizando, a medida que nossa mente vai evoluindo em sua filosofia e ciência e aceitando coisas que antes eram consideradas tabus ou mitos. Uma descoberta só vem realmente à tona, quando nosso cérebro está preparado para aceitá-la, pois antes disso ela fica no campo dos tabus, misticismo e crenças. Simples assim.

Tudo que pode ser sonhado, pode ser transformado em realidade.


"Cogito ergo sum". René Descartes

Para tentar explicar a acupuntura segundo a física quântica, temos que levar alguns fatores em consideração.
AGORA SABEMOS, E PODEMOS DEMONSTRAR, QUE A LUA NÃO ESTÁ LÁ, SE NINGUÉM ESTIVER OLHANDO.” N. David Mermin
A frase acima resume muito bem o que seja a física quântica, e quando começarmos a entender o significado dessa frase, é sinal que já estaremos no caminho certo.
Em minha opinião, acupuntura quântica não existe.
Temos acupuntura e temos física quântica e são coisas distintas. Vejo muitos sites, cursos, livros, todos falando de acupuntura quântica, usando esses novos termos que a mídia leiga tenta pregar por aí como novos recursos terapêuticos. Mas nada disso ainda existe. É uma utopia.
A partir da década de 20 começaram experimentos que cada vez mais descobriam como as partículas ínfimas da matéria se comportavam, e uma série de teorias foram ganhando corpo e literalmente desbancando as teorias de Albert Einstein. A principal delas foi a dualidade de uma partícula em se comportar como onda e como partícula; laboratórios de física avançada conseguem provar que uma partícula sabe com antecedência a um experimento científico se ela deve se comportar como onda ou como partícula, dependendo da experiência que um observador adote, terapeuta, no nosso caso.
Hoje, o que temos de mais concreto em termos de física quântica é sabermos que o mundo tal qual o conhecemos não é feito de partículas, mas sim de energia, pois quando chegamos no ínfimo pedaço de matéria, descobrimos que não há matéria lá, tudo que existe é uma probabilidade de um pedacinho dela estar por ali, de acordo com o principio da incerteza (ou conhece-se a posição, ou conhece-se a velocidade da matéria (partícula); nunca ambas), e esta probabilidade só virá a ser uma certeza (materialidade) se você, que está fazendo o experimento, olhar para aquele pedacinho de energia naquele momento, que seria o que mais nos aproxima da “intenção” do observador. E mais do que isso, essa energia também não é importante, mas sim a quantidade de conexões que ela estabelece ao redor de si. Veja o caso de um átomo, rodeado de elétrons que se une (pelos elétrons) a outros átomos, formando compostos cada vez maiores. Esse encadeamento, não dos elétrons, mas de sua energia propriamente dita, é que faz com que cada ser vivo se conecte a outro, numa espécie de “efeito borboleta” - como no filme. A vida nada mais é, então, do que um sistema inteligente constantemente evoluindo. Richard Dawkins tem uma teoria (explicada em detalhes nos seu livro: O Gene Egoísta) de que a única coisa viva que existe é o DNA e que nós somos apenas a “capa” que sofre uma constante evolução desse DNA. Nossa mente é muito limitada para perceber isso, essa complexidade toda de interconexões, e somente algumas vezes temos alguns breves insights disso, como outro dia assisti num clipe do youtube (http://www.youtube.com/watch?v=2lXh2n0aPyw ): colocaram numa escadaria de metrô, um sensor que emitia uma nota musical cada vez que alguém pisasse. Com o passar do dia, algumas poucas pessoas que ali pisavam causavam sons estridentes e sem sentido, mas quando se acelerou a câmera, para muitas “rotações por minuto” pode-se perceber um som que não era ruim, parecia um som um pouco mais inteligente; claro, para a maioria das pessoas soou apenas como uma curiosidade engraçada, mas o que era um “caos”, quando visto numa nova perspectiva, passou a representar uma mais “inteligente”. A vida é mais ou menos isso, ela está muito interligada a tudo que a rodeia, e fica muito difícil entende-la se começarmos a fragmentá-la demais, precisamos sim é olhá-la mais holisticamente.
Mas, voltando ao assunto, a física de hoje, já fala que a realidade não é o que aparenta ser, mas sim que nosso mundo é um mundo apenas de energia e probabilidades, e que quando focamos nosso pensamento para algo que realmente queremos, isso acaba acontecendo, pois MATERIALIZAMOS NOSSA INTENÇÃO. E este é princípio que rege a base de nossas terapêuticas ditas por “terapia quântica”, em outras palavras, “tudo que pode ser pensado, pode ser realizado.”
A ciência atual, incluindo aqui a medicina, está vivendo um paradigma que não mais consegue sustentar-se, pois sua premissa é baseada na ganância e interesse capitalista que não dizem respeito propriamente à saúde, nem à ciência (vide aqui o último texto do meu blog: http://caminhosdaenergia.blogspot.com/2011/12/medicina-e-ciencia-uma-uniao-que-da-ate.html ). Estamos vivendo um inicio de milênio com a medicina ocidental em crise. Não se cura o câncer, mas apenas extirpa-se o tumor; não se cura a AIDS, apenas prolongamos a vida; não se cura a gripe, apenas nos entupimos de remédio para abafar seus efeitos; não tratamos as causas sociais das doenças ortopédicas, mas apenas fazemos cirurgias milionárias para consertar defeitos; estamos indo para a velhice cheios de doenças degenerativas, pois são o ganha-pão de uma indústria que não tem interesse em curar ninguém.
As mudanças de paradigmas já começam a dar sinais evidentes que estão ocorrendo e, claro, isso aparece com novas descobertas científicas, com especial importância aqui, a física quântica.
A física quântica trás um novo conceito de que você mesmo é responsável por sua saúde, através da sua força de vontade - se é que a população do planeta conhece o que é isso -, de sua intenção, do foco que você dá aos rumos da sua vida.
Mas, como alguém já falou outro dia: “- tá, mas e daí? o que ocorre na prática?”
A resposta é simples: não ocorre nada!
Os conceitos dessa nova física, dessa nova filosofia, dessa nova religião estão apenas se formando. As bases estão ainda se estabelecendo e não há uma situação concreta onde elas possam ser aplicadas. As próximas décadas, provavelmente, serão cruciais com novas descobertas e transformações dessas teorias em terapêuticas úteis e haverá um longo caminho até que toda essa teoria (nova filosofia ou nova ciência) venha a finalmente se converter numa nova racionalidade médica para esse novo milênio.
Não gosto muito de citar a mídia, pois ela é manipulativa, mas é forma mais usual que a população menos instruída têm de terem sua opinião formada, e dentro deste conceito podemos assistir a muitos filmes que nos abrem um pouco a mente para essas ideias, como cito então:
“O Segredo”: filme ruim, detestei, parece que só queria fazer marketing para vender um livro;
“Quem Somos Nós”: este teve uma abordagem um pouco melhor, com melhores entrevistas, e explicou melhor a teoria quântica;
“The Living Matrix”: na mesma linha do “Quem Somos Nós”, e ajuda a consolidar melhor alguns conceitos.
Alguns filmes de produção milionária mexem muito com a gente e um deles certamente foi Matrix, pois em termos de física quântica, a coisa é exatamente aquilo.
Faça uma experiência: imagine-se tentando arrancar uma árvore gigantesca do seu quintal: você nem consegue imaginar que ela possa sair dali; e imagine arrancando uma mudinha pequena do tamanho da mão: fácil, não é?
Agora compare: existem alguns conceitos em nossa mente, que vêm sendo passado a gerações e não vamos conseguir mudar, tal qual não conseguiríamos arrancar aquela árvore gigantesca. Imagine dizer para alguém que viveu no ano 1000 dC que a Terra girava em torno do sol; ou dizer que poderíamos transmitir som e imagem através do ar, para qualquer lugar do planeta; ou mesmo viajar de avião. A mente daquelas pessoas não estava preparada para aquilo ainda, e não havia conceitos teóricos suficientes para explicar tudo de uma maneira racional. Toda aquela “ciência”, então, seria considerada bruxaria.
Não existe ainda uma maneira racional de explicar a física quântica, pois os conceitos estão apenas se formando.
Podemos dizer que o “pensar positivo” influencia no tratamento, que PLACEBO cura tal qual remédio o faz, que doentes terminais ficam curados depois que passam por tratamento alternativo, ou mesmo quando se entregam a alguma religião. Tudo isso faz certo sentido e recebe, claro, algum apoio do que hoje chamamos de “terapias por cura quântica”; mas de fato não existe nada real ainda ligando uma coisa a outra.
Tudo gira em torno de falácias; terapias ditas quânticas, quando submetidas a comprovações científicas, mostram-se tão eficazes quanto outra qualquer.
Sobre as pesquisas em livros.
Usar referências bibliográficas no final de um livro como partida para outras pesquisas é uma ótima ideia, mas não esqueçamos de que estas referências são inúmeras e como hoje em dia todos queremos mostrar serviço, então será um tal de “copiar, colar” gigantesco lá na sessão de bibliografia dos livros. E, também, muito livros já foram lidos há muito tempo pelo autor, que o ajudou, provavelmente, a montar suas ideias iniciais para o assunto que ele escreve. A melhor fonte ocorre quando o autor cita a referência dentro do próprio livro que escreve.
Os livros que chegam no Brasil, sobre física quântica, são realmente muito poucos, eles tem referências bibliográficas extensas. Quando procuramos por essas referências, quase não encontramos nada em nossas bibliotecas, ou livrarias, para comprar. Pode-se comprar em inglês, na internet, mas sairia muito dispendioso comprar vários livros que nem se conhece, não é mesmo? Por esse motivo, que eu, e algumas outras pessoas insistimos que vale a pena investir em pesquisas científicas, pois elas colocam um acervo adicional em nossas referências bibliográficas. Hoje, cada vez mais encontramos artigos científicos em base de dados para consultas e compras. Você compra pela internet apenas o artigo que te interessa, o que não deixa de ser muito vantajoso para todos que se interessem por pesquisas, por isso, também precisamos saber o que estamos adquirindo, nesta área. Então vale a pena pesquisar em banco de dados da internet ou revistas científicas especializadas, pelo artigo que te interessa. E esse, sem dúvida, seria um motivo adicional para uma faculdade brasileira investir num curso de acupuntura: fonte de renda adicional, já que a acupuntura é a ciência que mais se aproxima da teoria quântica.
Estou com dois livros do Fritjof Capra: “O Ponto de Mutação” e “O Tao da Física”.
Ainda não li O Ponto de Mutação, mas, segundo a crítica, é uma continuação do Tao da Física, porém falando sobre assuntos que o primeiro não abordou, seria uma espécie de complementação necessária; não posso comentá-lo ainda.
Li O Tao da Física. O foco do livro, segundo meu ponto de vista, são justamente dois tópicos que nos interessam mais: ciência e filosofia. O cara é um físico excelente, que não recebeu mais verbas, pois se afastou um pouco da ciência tradicional indo então de encontro ao que chamamos de “místico”. Ele tem explicação coerente e fundamentada para muitas das descobertas que se fizeram, a ainda fazem, no campo da física das partículas, e trás estas explicações de uma maneira muito didática e fácil para nós, leigos. Ao longo de todo o livro ele traça um paralelo com o que chamamos de conhecimento místico, explicando a filosofia envolvida nos conhecimento dos grandes sábios do oriente e outras culturas também.
Acho o Tao da Física um grande livro de se ler, principalmente para quem é acupunturista e gosta de ciência. Em poucas décadas, com o avanço do que chamamos de física quântica, esse conhecimento se tornará factível e o veremos surgir em termos de terapias adaptadas as nossas necessidades e entendimento, em cima desse novo paradigma que está se formando. Mas mais do que isso, o livro abre nosso campo de entendimento para o que chamados, como já dito, de racionalidades médicas, pois ele explica a filosofia chinesa e indiana como duas coisas distintas, e fazendo parte de sistemas filosóficos também distintos.
Um outro livro que eu não deixaria de ler é “Anais de um simpósio imaginário (entretenimento para cientistas)”, de um autor brasileiro, Beto Hoise. Estou acabando este livro agora, e claro, vou lê-lo novamente, agora, fazendo minhas próprias anotações. O autor mostra claramente as dificuldades éticas em que os físicos estão envolvidos hoje em dia, pois sabem que existe um amplo campo de pesquisa se abrindo em torno do que a gente chama de místico ou paranormal e não podem falar disso abertamente, pois estão presos a velhos conceitos de ciência, além do que, deixariam de receber verbas para suas pesquisas. Tudo isso, de alguma forma, vai ao encontro do que chamamos acupuntura, pois para explicar o que é o Qi (uma energia que flui por canais que não vemos) é preciso de uma outra base científica. O livro também trás muita informação de descobertas científicas e um entendimento novo do que chamamos ciência, tanto que o último texto que coloquei em meu blog são palavras, na íntegra, do próprio autor. Leia-o para se posicionar melhor no nosso conceito de ciência. Trás em seu interior, também, referência a muitas obras importantes, que lhe ajudarão a ter uma melhor perspectiva do que seja ciência, hoje em dia.
Tenho um livro que comecei a ler também, em pdf, que chama-se “O Universo Holográfico”, de Michael Talbot. Excelente livro, já o estou providenciando para minha estante.
Enfim, são todos livros ligados à ciência e à filosofia de uma maneira indireta, que ajudam a gente a navegar por um novo campo de estudos que se abre para o próximo milênio, e é em cima de novo campo, que se abrirão possibilidades de melhores explicações para nossa acupuntura, tanto que a medicina também já começa a pensar nisso através da sua Medicina Energética.






sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Medicina e Ciência: uma união que dá até medo!

“(...) Mas os tabus e fobias da velha ciência não se alojam apenas nesses setores caducos da intelectualidade. O conservadorismo e a tendência para limitar-se ao território conhecido ainda limitam grande parte da investigação e da pesquisa, no setor privado, apesar da aparência de que algo de novo acontece a cada mês, ou a cada novo exemplar das publicações especializadas. A produção do novo em ciência tem sido, na verdade, cerceada, apesar da enxurrada de novidades, que geralmente jorram da inesgotável cornucópia da tecnologia. Ideias realmente inovadoras frequentemente se manifestam em quase todos os campos do conhecimento, mas seu acesso aos órgãos de divulgação científica é ocasional e, algumas vezes, tumultuado por controvérsias e celeumas. Incontáveis tentativas de incursão pelos campos situados fora do paradigma têm conduzido ao ostracismo e à desgraça homens e mulheres corajosos que assumem um compromisso com a verdade dos fatos, mais do que com seu próprio prestígio na comunidade intelectual. É nesta frente de batalha, onde se conquista arduamente o espaço exigido pela ciência do novo milênio, que surgem os heróis do novo tempo, arriscando-se a perder cargos, verbas de pesquisas, e até seu próprio sustento material, perdas mais contundentes do que o riso de mofa e as agressões dos pedantes detentores de verdades obsoletas, que sobrevivem apenas à custa de interesses econômicos destituídos de uma base ética.

Um dos setores onde este quadro é mais evidente e comprometedor é o da medicina ocidental, que movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente e promove a produção incessante de novidades quimioterápicas destinadas ao vasto mercado mundial das doenças. Doenças quase sempre decorrentes do desequilíbrio da vida civilizada, dos maus hábitos alimentares e comportamentais disseminados pela mídia – por sua vez resultantes das distorções que a visão materialista do mundo impõe. Nunca será demais salientar que o mercado da indústria farmacêutica é a doença, e não a saúde. A lógica empresarial dos produtores de medicamentos não tem qualquer interesse em criar um mundo de indivíduos saudáveis, porque isto significaria o desaparecimento do seu mercado, que é a doença. O que os laboratórios produzem são drogas químicas e dólares, e não saúde.

Muitos de nós sabemos disso, mas não há como trazer esta informação para o plano da percepção cotidiana, porque a mídia é quem molda a limitada consciência das pessoas (não seria um equívoco chamar isso de consciência?) e se encarrega de instituir uma concepção de mundo massificada, deformada pelos interesses comerciais, em que anormalidades grosseiras são aceitas e mantidas como padrão de normalidade. No desvario incontido da busca de lucros, o sistema capitalista gera absurdos, como o cultivo de estados patológicos inerentes ao homem civilizado, desde a obesidade até doenças degenerativas.

A caça ao lucro sem considerações de ordem ética é ainda remanescente da expansão das corporações burguesas, acelerada a partir do século 19, e que gerou o darwinismo, o marxismo e a sociedade neurótica onde prosperou a psicanálise. Essa expansão amoral atravessou todo o século 20 sem ser realmente contida por legislação e mecanismos eficazes, que se fundamentassem numa concepção mais nobre do que seja o ser humano. Daí decorrem absurdos, como as guerras e a indústria de armamentos que as estimula; a violência, as baixas motivações e os piores conteúdos da psique humana como temas predominantemente na ficção televisiva, ou as indústrias bilionárias do tabaco e da bebida alcoólica, que podem sem exagero ser chamadas de indústria do câncer e da morte. Ou a indústria farmacêutica, que se nutre das doenças que finge curar, mas na verdade estimula e expande, porque cada droga que suprime os sintomas de uma doença sem lhes atingir a causa não só é inócua, a médio prazo, como também provoca outras males, pelos seus chamados efeitos secundários – por vezes piores do que aquilo que pretendia curar.

Em todos os setores de atividade onde quem comanda é a cega ambição, surgem distorções que atingem não apenas os indivíduos envolvidos diretamente no processo como também vastos grupos sociais, tanto no psíquico como no somático, porque estas são as duas faces correlatas e interdependentes do ser humano, embora haja relutância da ciência conservadora em reconhecer plenamente esta verdade elementar.

No caso específico dos medicamentos e das terapêuticas, em que a medicação é dominada pelos laboratórios de quimioterápicos, a situação é das mais difíceis e comprometedoras. O poder avassalador do capital conseguiu, ao longo de todo o século 20, suprimir todo um acervo de eficientes práticas das terapêuticas tradicionais do ocidente, ignorar as contribuições de comprovada eficácia oriunda de outras culturas e inibir as descobertas e pesquisas do próprio ocidente, que não se traduzam em lucros proveniente das vendas de produtos médicos, principalmente drogas. Qualquer terapia que represente redução nos altos custos (nota: “lucros”) da medicina tem pouca ou nenhuma chance de ser estimulada; as terapias alternativas (nota: práticas integrativas e complementares, no Brasil), mesmo quando extensivamente aplicadas e comprovadas em alguns países – como a acupuntura e a homeopatia – enfrentam um densa cortina de silêncio e não lhes é concedido espaço nas publicações de maior penetração. Como observa o médico Gabriel Cousens, dos Estados Unidos, que defende práticas médicas alternativas:

A questão é que uma revista médica de prestígio não publicaria um artigo de natureza controversa que não contivesse referência a trabalhos publicados em outra revista de prestígio. Visto que nesse campo ninguém consegue penetração nas revistas médicas ortodoxas, não existe obviamente nenhuma fonte respeitável de referências dignas de crédito para citar. Assim, as revistas médicas permanecem seguras em suas torres de marfim de dogmatismos científicos.

Práticas médicas (no Brasil, recebe a denominação de Práticas Integrativas e Complementares – PIC) como a moxibustão e a acupuntura, vêm sendo utilizadas há milhares de anos na China, em milhões de pessoas, com inegáveis resultados terapêuticos; entretanto, somente há cerca de vinte anos essas técnicas começaram a ser empregadas no mundo ocidental, onde a acupuntura é admitida em alguns países apenas como forma de anestesia – apesar de seu alcance ser muitíssimo maior. Estudos sistemáticos sobre essas terapias, por parte das grandes corporações do ocidente ligadas à medicina, não são realizados porque não há qualquer produto a ser vendido, sejam remédios ou caros equipamentos. Paralelamente, o poderoso lobby dessas corporações atua junto aos governos para inibir a dotação de verbas destinadas a tais pesquisas, apesar do enorme interesse social que poderia ter a generalização do seu uso.

A medicina das ervas, que faz parte das tradições populares de todos os continentes, somente é lembrada quando é possível extrair o princípio ativo de alguma planta e acondicioná-lo industrialmente sob alguma forma patenteada e vendável a preço comercialmente interessante. A disseminação do cultivo popular das plantas medicinais e a educação sobre o seu uso sob forma direta, através de chás ou consumo in natura, não são estimulados nem mesmos nos países mais pobres, onde se poderia constituir numa forma barata de disseminar a saúde, bem melhor que as drogas sintéticas carregadas de efeitos colaterais perniciosos. Isto ocorre porque a pressão política da grande indústria está alerta junto aos governos de todo o mundo para impedir qualquer possível limitação ao vasto mercado internacional da doença e do sofrimento humano.

Inúmeras práticas da medicina tradicional das diversas culturas, cuja eficácia poderia ser comprovada e quantificada por pesquisas, são a priori desacreditadas pela mentalidade forjada pela alopatia dominante. É uma atitude artificialmente criada e mantida pela manipulação das revistas especializadas publicadas pelas próprias indústrias ou aquelas aparentemente independentes, pelos inumeráveis congressos patrocinados pelos grandes laboratórios e pela cooptação direta de médicos influentes, que frequentemente viajam para esses encontros com todas as despesas pagas. A reação às práticas alternativas de terapias não –alopáticas – independentemente da eficiência que possam ter – vai desde o sorriso irônico dos alopatas e a irritação dos inúmeros beneficiários do vasto sistema capitalista/industrial farmacêutico, até a sabotagem e às práticas criminosas, quando interesses maiores são ameaçados.

O caso da homeopatia caracteriza bem o que sucede quando a medicina é dominada pelas forças amorais do mercado e pela ambição descontrolada de corporações e indivíduos.

A homeopatia é uma forma de medicina criada no século 19 pelo médico alemão Samuell Hahnemann, cuja eficácia terapêutica é indiscutível, mas que vem sofrendo todos os tipos de pressão nos países em que é admitida e praticada. Isto porque seus princípios são incompreensíveis sob a ótica da física newtoniana e do materialismo mecanicista. Os defensores do paradigma vigente não se interessam pelas repetidas e incontáveis comprovações da eficiência da homeopatia, que não teria sobrevivido por tanto tempo e a tão virulentos ataques se não tivesse sua eficácia extensivamente constatada por milhares de médicos, individualmente ou nos hospitais homeopáticos espalhados pelo mundo. Aos devotos da ciência mecanicista e reducionista o que importa é que eles não podem compreender como e porque a homeopatia funciona, se ela é incompatível com os princípios doutrinários da alopatia e da quimioterapia. A impossibilidade dos cientistas e médicos alopatas compreenderem seu funcionamento é recebida por estes como um insulto, e o combate à homeopatia ignora seu sucesso como terapêutica. Por isso a combatem com armas que vão desde fingida indiferença à violência.

A homeopatia trata o doente como um todo físico-psíquico indivisível e se utiliza de substâncias da natureza – mineral, vegetal ou animal – submetidas a diluições extremas num processo denominado potencialização, tanto mais forte quanto maior a diluição da substância original. Aos olhos da química isto é um absurdo, porque, nas maiores diluições empregadas pela homeopatia, já não pode haver molécula da substância matriz no produto final. O conflito teórico surgiu porque a homeopatia não se ajusta à ciência newtoniana; ela é bem mais compreensível à luz da física quântica, que só veio a ser formulada a partir de 1926-1927, mas cujas consequências ainda não foram inteiramente assimiladas. Indiferente às dificuldades teóricas para a completa elucidação dos seus princípios, os seguidores de Hahnemann valem-se dos seus métodos e comprovam na prática diária a sua eficiência.

Em 1986, Dr. David Reilly e seus colegas de Glasgow Homeopathic Hospital apresentaram à influente revista médica inglesa Lancet um impecável estudo sobre a eficácia de um preparado homeopático no tratamento da febre do feno. Tratava-se de um teste duplo-cego, onde o medicamento era comparado com um placebo ineficaz. Eles relataram que os “pacientes tratados homeopaticamente mostraram um significativa redução dos sintomas, tanto na avaliação dos médicos como dos próprios pacientes”. Acrescentando que “a significância dessa resposta ficou valorizada quando seus resultados foram comparados com a contagem de pólen e a resposta foi associada à necessidade do emprego de anti-histamínicos, que ficou reduzida à metade”. Evidentemente o preparado homeopático teve um efeito fisiológico que não poderia ser explicado pelo “efeito placebo”, onde a simples sugestão de estar recebendo um medicamento já influencia na melhora do paciente.

A publicação deste trabalho provocou uma avalanche de cartas de protesto, bastante reveladora da forma como pensam os médicos que se consideram orientados “cientificamente”. A despeito dos excepcionais cuidados em todas as fases da montagem e avaliação do experimento, as cartas à revista mostraram grande irritação e uma delas chegou a dizer que se tratava do “primeiro teste duplo-cego, aleatoriamente programado, de um placebo comparado com outro”, insistindo no fato de que, a diluição empregada, o preparado já não continha qualquer molécula do extrato original. As objeções dos leitores centravam-se em um só ponto: a homeopatia não pode funcionar. Se os resultados de um estudo cientificamente válido estão em desacordo com a teoria, então o estudo está errado. A ideia de se considerar a possibilidade de rever a teoria não foi mencionada, a não ser por uma ou duas cartas.

Dois anos depois, a publicação de um outro estudo pela revista Nature levantou uma tempestade ainda maior de controvérsias que, nos seus desdobramentos, mostrou não apenas como pensam, mas também como podem agir homens de algum destaque na comunidade científica quando são instados a defender seus intocáveis paradigmas.

Dr. Jacques Benveniste, conceituado farmacologista e professor da Universidade de Paris, esteve no epicentro de um escândalo que chegou à imprensa leiga, pela suspeita amplamente divulgada, mas nuca confirmada, de fraude num experimento realizado com rigor científico e verificada por diversos laboratórios que o reproduziram. Dr. Benveniste e uma equipe de treze cientistas de quatro continentes testaram e mediram cuidadosamente em sucessivas diluições e potencializações, a eficácia de um soro contra a imunoglobulina-E, o anticorpo humano da hipersensibilidade alérgica. A cada ciclo do seu processamento, a eficiência do produto era cuidadosamente testada e medidas rigorosas eram efetuadas, verificando-se que, nas etapas iniciais havia uma queda na eficiência do soro proporcional à sua diluição, como seria de esperar. Entretanto, quando as diluições – sempre acompanhadas do processo de dinamização, que consiste na agitação do preparado segundo um procedimento especial – iam além do ponto em que o soro presente na solução ficava consideravelmente reduzido, sucessivos picos de eficácia eram registrados, seguidos de desaparecimentos a diluições maiores, e voltando a reaparecer quando essas diluições já atingiam níveis extremos, em que teoricamente não existiria qualquer molécula do soro original no produto obtido. Dr. Benveniste e sua equipe concluíram que algo do soro ainda estaria presente na solução, mesmo naquelas diluições extraordinárias, ou então que uma característica não identificada da substância matriz permanecia de alguma forma registrada nas moléculas da água (nota de George Kieling: nenhuma molécula do soro original ficou, restou apenas a "intenção" dos pesquisadores em curar os pacientes). O experimento foi chamado pelos seus autores de “A Memória da Água”.

Um criterioso relato da experiência foi então submetido para publicação na revista britância Nature, tendo seu editor, o Dr. John Maddox, exigido que o Dr. Benveniste obtivesse comprovação dos seus resultados por diversos outros laboratórios que o próprio Maddox indicaria. A reprodução do experimento nestes laboratórios confirmou os resultados e Nature publicou o trabalho em junho de 1988 – acompanhado de um comentário editorial que dizia “não haver base científica para aquelas observações” e que “havia boas e particulares razões para que as pessoas prudentes suspendessem seu julgamento, por enquanto”. Aparentemente, esta seria uma recomendação razoável em face dos resultados inesperados de um experimento. Mas lendo-se o editorial verifica-se que as “boas e particulares razões” alegadas são as leis físico-químicas tais como são conhecidas, e que o comentário da revista não dá qualquer indicação de que essas leis possam requerer alguma revisão ou ajustamento, diante dos fatos constatados pelo experimento. O conceituado cientista Dr. Robert O. Becker, que relata os casos Reilly e Benveniste em seu livro Cross Currents, comenta que a revista firmava-se no pressuposto de que prevaleceria a teoria sobre os fatos, assumindo claramente a defesa de um dogma e jogando o peso de seu prestígio para inibir – como de fato inibiu – as possíveis verificações posteriores da validade do experimento Benveniste. Qual o pesquisador científico que ousaria arriscar sua reputação, desafiando uma das revistas de maior “autoridade” em todo o mundo, se tentasse reabrir a controvérsia?

Conta o Dr. Becker que, simultaneamente à publicação do trabalho, Dr. Benveniste foi notificado pela revista que seu laboratório seria visitado por uma equipe de investigação. Essa equipe foi constituída pelo próprio Maddox – um físico de formação e cuja posição sobre o assunto já estava declarada em seu editorial -, um mágico profissional sem quaisquer credenciais científicas chamado James Randi (The Amazing), especializado em descobrir – ou forjar? – fraudes, e Dr. Walter Stewart, do U. S. Institute of Health, que não tinha qualificação na área de imunologia e recentemente também se convertera à rendosa atividade do “espantoso” Randi: desmascarador de fraudes científicas. Em sua carta de réplica. Dr. Benveniste protestou que essa equipe procedeu de forma totalmente anticientífica quando esteve em seu laboratório. O pessoal qualificado foi impedido de realizar adequadamente seu trabalho, os resultados positivos foram desconsiderador e a atmosfera foi a de uma caça às bruxas, orientada no sentido de concluir que os resultados obtidos não fossem diferentes dos que o acaso forneceria. Esta, efetivamente, foi a “conclusão” da visita.

Essa história foi amplamente divulgada na imprensa mundial, sempre em tom de zombaria. O Time Magazine, de 8 de agosto de 1988, publicou a matéria sob o título The Water that lost its memory, que endossava a investigação e as conclusões de Maddox, procurando colocar Dr. Benveniste e sua equipe no ridículo. Desde o início, Maddox presumiu que o experimento era uma fraude, investindo-se na posição de defensor das leis da física, mas o que efetivamente ele fez foi a defesa do establishment biomédico contra um conceito “herético”. O sistema usual de verificações científicas, que se segue à publicação de um trabalho controvertido, consiste na tentativa de outros cientistas procurarem comprovar ou negar os resultados relatados. Mas neste caso, comenta Dr. Becker, isto não pode ser mais feito, porque Maddox já imprimiu uma nódoa no tema que ameaça contaminar qualquer outro que venha a se aventurar a contestá-lo. Lamentavelmente, ao longo deste caso, o verdadeiro espírito da investigação científica perdeu-se inteiramente, conclui desolado o Dr. Becker.

No caso específico da homeopatia, assim como nas demais terapias alternativas de comprovada eficácia em outras culturas, compreende-se que a oposição que lhes é feita tem uma razão de ser: os enormes interesses econômicos que estão por trás da grande indústria trabalham incansavelmente para preservação do seu mercado e dos seus privilégios, chegando a forjar e manter todo um peculiar segmento cultural, uma forma de pensar e agir que se reveste da aparência de praticar “a verdadeira ciência”, onde médicos e leigos são envolvidos, sem perceber que estão sendo manipulados. Ou então permanecem com uma vaga e nebulosa percepção disto, que não mostra qualquer interesse em procurar a verdade dos fatos. Com efeito, muitos deles consideram-se beneficiários dessa situação, e simplesmente procurar a verdade não é algo que motive a maioria dos indivíduos, especialmente se essa verdade puder abalar suas fontes de renda, seus empregos e suas arraigadas convicções.”

Hoisel, Beto. Anais de um Simpósio Imaginário. São Paulo: Ed. Palas Athena, 1998.

O texto desta postagem foi retirado, em sua íntegra, do livro supracitado. Trata-se de uma história surreal, mas com fatos verídicos, que podem ser constatados através de suas referências.