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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os paradigmas da ciência atual e a acupuntura.

Eu gostaria de colocar aqui minha opinião sobre o significado de "paradigma", mas Palas Athena o coloca tão bem, que se torna impossível não o reproduzir aqui com as suas exatas palavras:

"Visto com benevolência, um paradigma pode ser definido como uma constelação de pressupostos e crenças, escalas de valores, técnicas e conceitos compartilhados pelos membros de uma determinada comunidade científica num determinado momento histórico. Com alguma mordacidade, um paradigma pode também ser visto como o conjunto de procedimentos consagrados, vícios de pensamentos e bloqueios lógico-metafísicos, que obrigam os cientistas de uma determinada época a permanecer confinados ao âmbito do que definiram como seu universo de estudo, e seu respectivo espectro de conclusões adredemente admitidas como plausíveis.

Thomas Kuhn mostrou como os paradigmas determinam a priori o que pode ou não ser aceito como verdadeiro numa determinada época da história da ciência. A fidelidade a um paradigma tem levado sistematicamente respeitáveis pesquisadores a rejeitar segmentos inteiros daquilo que vivenciam, a negar resultados evidentes de seus próprios experimentos, ou a neglicenciar fatos e possibilidades que não escapariam a um juizo ou a um olhar menos comprometidos.

Embora a aderência a um dado paradigma seja indispensável a qualquer empreendimento científico sério, a consequência de um compromisso rígido com seus limites rígidos é bloquear - como frequentemente bloqueia - a interpretação de fatos que fogem ao campo do que o paradigma preestabeleceu como aceitável. Como a totalidade oferece variados e complexos aspectos à observação e à inteligibilidade, o que resulta da adoção não-crítica de um paradigma é o alijamento de continentes inteiros da vivência e da experiência humanas como inadequados a uma abordagem científica. Outra consequência da adoção irrestrita de um paradigma é o estabelecimento de formas específicas de questionar a natureza, limitando e condicionando previamente as respostas que esta nos fornecerá. Um alerta já nos foi dado por Heisenberg quando mostrou que, nos experimentos científicos, o que vemos não é a natureza em si, mas a natureza submetida ao nosso modo peculiar de interrogá-la."

Um exemplo do problema exposta acima, segue abaixo.

Quando você está andando sobre um trilho de trem, apenas dois pontos lhe interessam: latitude e longitude; quando você está sobrevoando uma localidade, mister se faz conhecer também a altitude; a estas coordenadas físicas foi adicionado por Einstein, o "tempo", no que se costuma chamar "espaço-tempo"; mas de qualquer forma este tempo ninguém consegue explicar satisfatoriamente o que seja, pois cito aqui algumas experiências ligadas ao tempo que não têm explicação científica:

Veja o exemplo de algumas premonições famosas registradas tão-somente pela criação literária:

"Como pode Jonathan Swift prever, nas Viagens de Gulliver, que o planeta Marte tinha duas luas, e que estas giravam uma em sentido contrário da outra, mais de um século antes que a ciência descobrisse? Como soube Julio Verne, na sua Viagem à Lua, com uma antecipação equivalente à de Swift, que a conquista da Lua seria feita por um veículo americano, tripulado por três homens, que sairia da Flórida para uma viagem de três dias e no seu retorno cairia no mar? E como foi que H. G. Wells, em sua novela The World Set Free, descreveu uma guerra que seria travada nos anos 50, em que bombas atômicas do tamanho de uma bola de futebol seriam lançadas de aviões e teriam poder explosivo suficiente para destruir uma cidade inteira? Isto em 1913, quando não se tinha ideia do que fosse uma reação em cadeia nem se sabia que o átomo podia ser desintegrado, liberando uma energia fantástica. E, finalmente, para não nos estendermos demasiado na enumeração desses fatos, como foi possível que o obscuro escritor norte-americano Morgan Robertson, em seu romance denominado Futility, de 1898, descrevesse o naufrágio de um grande navio denominado Titan, que afundava em sua viagem inaugural entre a Inglaterra e os Estados Unidos pelo choque com um iceberg, com centenas de mortos em consequência da falta de barcos salva-vidas? Essa obra descrevia com tal riqueza de detalhes o navio, a viagem e o que veio a acontecer em 1912 com o naufrágio do Titanic, que deveria ser objeto de profundas ponderações por parte de qualquer pessoa que se proponha a estudar seriamente o que seja o tempo."

A matemática, elegantemente, acrescentou o zero em suas contas, quando descobriu que precisa de um símbolo para representar o resultado da subtração de dois números iguais. Depois criou os números fracionários quando precisou especificar a divisão de dois números quando o resto não era um inteiro. Criou os números negativos para representar bi-polaridades. Depois criou um número imaginário para representar a raiz quadrada de um número negativo. E criou tantas outras coisas, que só fazem sentido no uso da matemática per si.

Traçando um paralelo com a matemática, então, conseguimos delimitar muito bem o nosso espaço físico de três dimensões; mas a teoria da relatividade agregou matematicamente uma nova variável, de forma que temos agora 3 dimensões de espaço e uma de tempo - o que soa um tanto estranho -, pois se tivéssemos 3 variáveis de espaço e três variáveis também de tempo, talvez os eventos dos exemplos acima pudessem ter uma explicação mais lógica dentro da então não-linearidade do tempo.

O exemplo do tempo é um dos problemas que o paradigma da ciência atual enfrenta.

E na acupuntura?

Nossa ciência atual diz que os elétrons fluem por dentro de nervos, levando estímulos para todo o corpo e provocando reações físico-químicas, que se transformam em efeitos fisiológicos. Esta mesma ciência não consegue aceitar que existam canais invisíveis pelo corpo no qual circula uma energia chamada Qi e que está em harmonia com o restante do espaço a sua volta. Dentro do seu paradigma atual, esta ciência faz perguntas pré-elaboradas para encontrar respostas que sua mente cartesiana aceita sem tantos traumas. Então, neste contexto, ela descobre que uma agulha de acupuntura estimula nervos, que por sua vez liberam substâncias, que em última estância produzem analgesia. Claro, agora fica bem mais fácil de aceitar e comprovar cientificamente a acupuntura; mas então deixou de ser acupuntura, não é mesmo?

Ex-universo


"Antigamente" falava-se em Universo, o que nos daria uma idéia de algo fechado, fruto de nossa mente pequena e nossa vã-filosofia, hoje já falamos em Totalidade.

Quando você é bebê, o peito de sua mãe é a sua totalidade; quando você é criança, a sua familia é sua totalidade, quando você é jovem, sua cidade é o máximo; quando adulto, seu país; e assim vamos descobrindo o mundo e o "Universo". O mundo material - e o imaterial - vão crescendo para você à medida que sua mente e o seu entendimento deste mundo vão se abrindo a novas possibilidades. Não existe limite para este crescimento, e a única restrição está apenas no tamanho do seu cérebro, que quanto menor ele for, menos ele entende o que está a sua volta.

Na sociedade encontramos também o mesmo princípio. Antigamente, a Terra era plana, não havia nada além dos mares, o Sol não era o centro do Universo, os deuses eram inúmeros. Novas descobertas, novos paradigmas, novas crenças, novas filosofias vão abrindo nossa mente a novos horizontes e vamos cada vez mais percebendo que somos parte de um todo muito maior e incompreensível.

Assim como o ser humano é vivo, a Terra também é viva, o Universo é vivo e tudo isso está intimamente ligado, talvez não pelo aspecto material que nossa mente pequena consegue perceber, mas mais por uma ligação inteligente que envolve tudo que conhecemos. Quanto maior for nossa mente para novas idéias, maior será a concepção que temos do Universo e melhor conseguiremos entendê-lo, e talvez então passemos a perceber que realmente não interessa o tamanho deste universo, pois nossa mente sempre consiguirá fazê-lo crescer mais.

"Este termo - Totalidade -, mais abrangente que Universo, foi adotado para designar não apenas o universo físico, delimitado pelos astrônomos como seu objeto de estudo, mas também o mundo não físico da mente, que reside no interior das subjetividades e, além destes, o mundo oculto dos fatores que agem sobre os acasos do mundo físico e do mundo psíquico, o mundo inescrutável das formas ideais de Platão (onde flutuam as entidades matemáticas) e o "mundo 3", de Karl Popper, locus existencial dos produtos da mente: as obras de arte, as instituições sociais, os valores éticos, a música sinfônica, os conteúdos dos livros, os problemas filosóficos e científicos e todas as teorias - inclusive as errôneas, tolas e absurdas."

O limite do conhecimento está dentro da nossa mente, e apenas lá dentro poderemos conhecer o que realmente significa a Totalidade e de como esta totalidade conecta tudo a sua volta inteligentemente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares - Resultado da audiência.

Segue abaixo informações sobre o resultado da Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares no estado do Paraná, que foi realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, no dia 13 de setembro de 2011. As informações me foram passadas via e-mail e vieram da Sra. Luci Aquemi Hayashi Machado, presidenta do SATOPAR e organizadora deste evento, e que trás, além dos resultados, uma breve história de sua luta pessoal para que este evento ocorresse, o qual reproduzo aqui, com sua autorização:

"(...)
Os deputados que estavam presentes são os que mais nos interessam: os que fazem parte da Comissão da Saúde Pública e todos eles estavam presentes e como você pode ver, a maioria eram médicos. Alguns deputados enviaram seus representantes através de ofício, mas estes não são chamados à mesa.

Sim, haviam menos pessoas que na primeira reunião. Ma isto era algo que já esperava também, já que tivemos menos respostas às solicitações que fizemos ao longo destes dois meses de divulgação junto às escolas de terapias, faculdades e universidades, conselhos e terapeutas.

Conselhos de classe: somente os de Psicologia e de Odontologia que fez uma grande contribuição sugerindo a inclusão de outras técnicas já reconhecidas pelo CFO, tal como a terapia floral e a laserterapia que não estavam em nosso projeto e o fato de um conselho reconhecer tais terapias, é muito importante para justificar sua inclusão no projeto. Na primeira reunião foram quase todos os conselhos, mas como você disse, a qualidade de contribuições foram maiores.

Universidades e Faculdades: Estiveram presentes a UFPR, Universidade Positivo, Universidade Tuiuti, Instituto Federal, Faculdades Espírita. A Tuiuti e IFPR não se manifestaram. A PUC havia confirmado, mas acabou não indo.

Escolas de acupuntura e terapias: EBRAMEC e Senda (escola de Tai chi chuan e Qi gong)

Outras instituições: FENATE, AIPT, SATOSP, SINATEN.

Terapeutas: metade do quorum anterior.

Pontos positivos: Como organizadora, posso afirmar que andamos mais que esperava.

O que estava esperando? Que conseguisse sensibilizar algum dos deputados presentes para apresentar o projeto estadual de PIC (PEPICP) – Este era o objetivo principal.

Ficamos sabendo que dia 5 de setembro, 1 dia antes do feriadão, o deputado Lemos entrou com o projeto de lei 725/2011 para implantar a PEPIC. Isto quer dizer que nem teremos o trabalho de sensibilizar, está partindo de dois deputados da comissão da saúde.

Histórico: desde a primeira reunião (10 de Junho) venho entregando cópias do projeto aos deputados, por e-mail e impresso, inclusive, entreguei em mãos uma cópia para o deputado Lemos e Cheida que foram os autores do projeto 725, além do convite da audiência pública.

Conclusão: total desarticulação, tanto da minha parte quanto da parte deles porque estamos falando a mesma coisa separadamente, sem um saber do outro;

Fato positivo: agora sabemos um do outro e eles gostaram mais no nosso projeto do que o apresentado por eles.
Fato melhor ainda: marcamos uma reunião para falarmos a mesma linguagem e realizar o substitutivo do projeto original, ou seja, eles irão acatar, se não tudo, mas parte das inclusões feitas por nós à portaria 971 do MS.

Outros fatores positivos: As universidades se mostraram dispostas a conhecer as PIC e isto é um fato importante porque se queremos profissionalizar as PIC, precisamos normatizá-las e quando uma universidade se mostra disposta a “pelo menos” ouvir, agora depende de nós em saber convencê-las sobre a necessidade de investir nesta área de conhecimento.

Na minha percepção (que é sempre otimista), houve uma unanimidade sobre a necessidade de implantar as PIC no Paraná, se isto irá acontecer, é outra historia. Por isto, ainda não podemos descansar.

O único ponto negativo a fazer é: CADÊ OS TERAPEUTAS PARA ENCARAREM ESTA
MUDANÇA DE PARADIGMA EM NOSSO ESTADO?

Eu ouvi os deputados médicos, os representantes das universidades (que eram todos médicos) e em seus discursos, todos querem as PIC no SUS e querem mudanças na condução da saúde pública. Será somente discurso ou realmente tem alguma mudança nisto?

Vou contar um pouco da minha história neste processo:

- levava uma vida sossegada (Rita Lee) como presidente do SATOPAR, lidando com as burocracias básicas de um sindicato pequeno e pobre, tentando garimpar filiados, até que um dia, uma “maluquinha” (quem foi nas duas reuniões, sabe muito bem de quem estou falando) me liga e me pede para conduzir uma audiência pública sobre terapias naturais que ela havia conseguido marcar na Assembleia legislativa do Paraná (ALEP). Com a minha “...vastíssima experiência...” em audiência pública, a primeira mudança foi para audiência sobre política estadual de práticas integrativas e complementares e aos trancos e barrancos, típicos de alguém que não tinha a
mínima noção sobre os trâmites de uma audiência pública, encarei o desafio, pedindo apoio aos meus santinhos, porque das pessoas deste mundo, só da Teresa e da Tânia (a maluquinha).

Na véspera da audiência (9 de junho de 2011) recebi um comunicado que a ALEP havia cancelado e foi a maior correria porque como iria avisar todo mundo? Sem chance. Batemos, eu e Tânia, na porta da ALEP e ficamos lá o dia inteiro tentando “descancelar” o cancelamento, até a segurança da ALEP veio conferir o que estava acontecendo. Alguém (até hoje não sei quem foi) mandou liberar o plenário para que pudéssemos receber os convidados, mas sem a presença de
deputado e sem apoio do cerimonial, estaríamos por conta e risco de nós mesmas. Melhor isto que recebê-los na rua.

Nesta reunião veio muita gente, mas nenhum deputado para nos ouvir. Veio tanta gente que a ALEP ficou preocupada e no meio da reunião, veio um comunicado da presidência da Comissão da saúde de que a audiência seria marcada para uma outra data.

Sobre este fato, apesar de ter começado de forma meio torta, acredito ter sido muito bom, porque eu não estava preparada para enfrentar uma Comissão de Saúde Pública e argumentar com eles. Atribuo este cancelamento repentino, a um ato dos santinhos lá de cima porque logo depois disto, desde junho até final de agosto, veio uma enxurrada de acontecimentos inesperados, que me colocaram em situações inexplicavelmente ligadas às PIC, culminando com um encontro com a dra. Carmem, coordenadora das PIC no ministério da saúde.
Deste conhecimento, vieram orientações e correções no projeto. Isto me tornou mais forte, mais segura e realmente passei a acreditar que o projeto estava muito bom, já que foi aprovado e elogiado pela coordenadora nacional. Ela não pode vir, mas mandou um representante.

Pergunta: Qual a probabilidade de receber um telefonema de Brasília, informando que viria uma pessoa para representar o MS e se alguém poderia ir buscá-lo no aeroporto e neste exato momento, estar atendendo uma aluna (na maca) com acupuntura e depois de desligar, esta aluna percebe minha preocupação, me pergunta o que aconteceu e digo: preciso achar alguém para
ir buscar o representante do MS no aeroporto, e esta aluna se oferece para isto. Quando passei o nome e horário de chegada para ela, ela me liga dizendo que é um grande amigo que conheceu quando morava na Bahia. Ele é pernambucano e foi há pouco tempo trabalhar em Brasília e foi o maior incentivador de ela fazer a especialização em acupuntura. Coincidência?

O QUE QUERO COM ISTO? Dizer que se conseguimos chegar até aqui, qualquer pessoa pode fazer o mesmo em seu estado.

Quando comecei, meu conhecimento político era o de assistir programas políticos para escolher em quem votar, ir em eventos para lutar por algo, mas sempre como povão.

Quando a maioria dos estados possuírem suas políticas de práticas integrativas, teremos uma grande força. Hoje somente três estados possuem.

A União aprovou uma portaria sobre PIC. Os Estados precisam aprovar legislação específica sobre PIC que não precisa ser exatamente igual à portaria ministerial.

As pessoas da coordenadoria de PIC no MS estão surpresas que o Paraná está brigando por sua PEPIC. Para eles, seria um dos últimos estados, senão o último a fazer isto, porque aqui as coisas não funcionam como no restante do Brasil. Somente quem vive aqui sabe como as coisas são por aqui. Acho que é excesso de frio e chuva (frio-umidade) em que tudo fica extremamente
estagnado, pesado, difícil de fluir.

Se até no Paraná foi possível, nos demais estados será infinitamente mais fácil. Encarem esta!

Abraços

Luci Aquemi Hayashi Machado

Presidente (2009-2012)

SATOPAR - Sindicato dos profissionais em Acupuntura e Terapias Orientais do
Estado do Paraná

Rua Jornalista Caio Machado, 87 - Santa Quitéria - PR

(41) 3274-4647 (41) 9985-2222

http://twitter.com/LuciHayashi"

FIM DO EMAIL

Diferença entre Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Ocidental

Após ouvir a explanação do representante da Universidade Positivo quando da Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Paraná para as PIC, e falando sobre a necessidade na Universidade procurar novos meios de lidar com a saúde pública, sem causar tantos danos, como o que ocorre hoje, resolvi postar aqui uma citação interessante sobre o assunto.

O texto abaixo foi retirado do livro: Metodologia da Medicina Tradicional Chinesa, de Huang Jianping (São Paulo: Roca, 2001) e ilustra uma passagem que nos orienta significativamente sobre uma das diferenças fundamentais entre estas duas Racionalidades Médicas.

Cap. 4, pág. 107.

"Na diferenciação das doenças, a Medicina Ocidental também dedica atenção à reação do organismo porque os sinais e sintomas ajudam-lhes a ter algum entendimento das doenças. Entretanto, ainda que existam classificações morfológicas e classificações funcionais das doenças na Medicina Ocidental, sua principal direção é para a classificação a partir das causas das doenças. Procura reconhecer a natureza e a regularidade das doenças e de suas causas. Portanto, a Medicina Ocidental adota o tratamento contra a causa; outros tipos de tratamento, como tratamento suporte e heteropatia são usados apenas como recursos auxiliares. Por exemplo, a Medicina Ocidental afirma que a tuberculose pulmonar é induzida por invasão dos pulmões pelo bacilo da tuberculose e, consequentemente, administra drogas antituberculosas para aniquilar o bacilo. Embora os pacientes A, B, C e D sejam seres humanos diferentes, as causas de suas doenças são as mesmas, a despeito das distintas expressões e de seus sintomas. Os principais métodos terapêuticos adotados pela Medicina Ocidental são os mesmos, também; como um resultado, a Medicina Ocidental não tem necessidade de diferenciar os sintomas.

O método chinês, entretanto, focaliza sobre a reação do organismo, não sobre os fatores patogênicos causadores da doença; desse modo, raramente usa as mesmas prescrições para lidar com bacilos da tuberculose. Os pacientes A, B, C e D são diferentes uns dos outros em constituição, e seus ambientes e outras condições não são as mesmas; sendo assim, dificilmente podem realizar reações idênticas aos bacilos e apresentar os mesmos sintomas. Alguns podem apresentar tosse com pouco flegma, febre baixa nas tardes, calor no peito, palmas das mãos e solas dos pés, boca seca, bochechas vermelhas, nervosismo e insônia, transpiração noturna, pulso apertado e rápido. Tais síndromes são atribuídas à deficiência de yin no pulmão e no rim na Medicina Chinesa. Outros Tuberculosos podem apresentar tosse com muito flegma, pouca força, perda de apetite, voz fraca, face pálida e pulso anormal, devido à deficiência de yang no pulmão e no rim. Levando isso em conta, o médico (n.e. :Médico aqui no contexto, é o formado em práticas da MTC) preparará prescrições diferentes para os dois tipos de pacientes, dando medicamento para o yin e para o Qi para o primeiro, mas medicamento para suportar o yang no baço e pulmão, para o último (n.e.: medicamento aqui diz respeito à fitoterapia usada na MTC). No tratamento da tuberculose, um médico chinês geralmente usa drogas como Radix Stemonae e Spica Prunellae para combater os bacilos da tuberculose. Seu propósito é regular a relação entre o yin e yang no organismo, a fim de ajudá-lo a recobrar o equilíbrio e lutar contra a doença.

Comparando esses dois exemplos podemos verificar que a invasão dos pulmões pelo bacilo da tuberculose é a causa de morte mais comum entre os tuberculosos, mas outros fatores como constituição e ambiente também deveriam ser levados em consideração.
(...)
Tudo isso mostra que ambos - "doença" e "homem" - deveriam ser considerados no tratamento de doenças.
(...)
Se a atenção estiver focalizada meramente no tratamento da "doença", enquanto esquece o "homem", poderia frequentemente acontecer de, embora a causa seja eliminada, o homem ainda permanecer em estado não muito harmonioso de exaustão ou desconforto. Poderia até mesmo ocorrer de, enquanto a enfermidade em questão tenha permanecido sob controle, certas doenças novas poderiam ser introduzidas. Por outro lado, se a atenção é focalizada meramente no tratamento do organismo do "homem", enquanto se negligencia a causa da doença, em geral, pode acontecer de os sintomas do paciente terem melhorado, mas a causa não tenha sido completamente eliminada, e o distúrbio ainda esteja oculto.

Portanto, o propósito de nossa nova ciência médica é aprender sobre a universalidade e particularidade de uma doença, e tentar curar tanto a doença quanto o homem."



As técnicas da MTC podem matar um microorganismo? ... bem, este seria a continuação do texto, que não vou colocar aqui; mas para adiantar, podemos intuir que regulando o yin e o yang no organismo, que é a base da MTC, o corpo fortalecido e harmonizado terá força suficiente para combater e expulsar o microrganismo.

Mas não deixe a indústria farmacêutica saber disso, viu ?????

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Audiência pública sobre Práticas Integrativas e Complementares no estado do Paraná.

Dia 13 de setembro de 2011 (hoje), as 10:00h, foi realizada a Segunda Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares na Assembleia Legislativa do estado do Paraná (Plenarinho). Estavam presentes alguns poucos parlamentares, representantes de algumas entidades públicas e privadas, o público composto de terapeutas diversos e docentes, a representação do SATOPAR - incentivadora do evento - e eu, na qualidade de ouvinte e aluno ainda de acupuntura.

Não é tarefa minha colocar um resumo deste encontro, mas como participante passivo deste processo, sinto uma enorme necessidade de compartilhar seus resultados, a fim de que as informações sejam passadas adiante. Como não tenho os dados oficiais do evento, nem estou ligado a sua administração, coloco aqui apenas minhas impressões pessoais sobre o resultado, não citando os nomes dos participantes.

1- O representante da saúde no nível federal deixou bastante claro, que o Ministério quer a "acupuntura" sendo exercida por especialistas dentro de suas respectivas áreas, quando se trata das PIC (práticas integrativas e complementares) e não abre mão disso;

2- O Ministério da saúde no nível federal já fala a linguagem das Racionalidades Médicas (http://caminhosdaenergia.blogspot.com/2011/07/microssistemas-dentro-das.html) e isto parece muito importante, visto que quebra um pouco a hegemonia da medicina ocidental, reconhecendo outras formas de tratar o paciente. Além de algumas racionalidade médicas (como a MTC) o ministério também reconhece algumas técnicas terapêuticas (como as águas termais) dentro das PIC;

3- O estado do Paraná está atrasado em sua implementação das PIC com relação a outros estados da União, mas se começar agora, ficará adiantado pelo menos na região sul. Nosso projeto estadual das PIC está começando agora com esta proposta, que pode melhorar um projeto já em andamento na casa legislativa: tudo que falta é força nossa e vontade política;

4- Não dá para dizer que houve representação das universidades públicas e privadas, mas foi um representante da Universidade Positivo e um da UFPR; claro que o discurso foi neutro e genérico, mas algo de básico deu para captar: UP: mostrou claramente que a profissão do médico não atende a demanda da população, inclusive que pode até ser prejudicial em alguns casos e que a sociedade precisa articular outras formas de gerir a saúde. UFPR: mostrou que a universidade está querendo ensino generalista para médico e não especialista em doenças, e está investindo na pesquisa científica visando a fitoterapia, dentro do contexto das PIC: preocupante ou tranquilizador, isso?

5- Não vi na mesa representatividade de conselhos de classes profissionais de saúde, que estavam presente no primeiro encontro.

6- O discurso político foi neutro e a favor na proposta apresentada, como deveria de ser, pois afinal, político não tem decisão, eles são impulsionados por pressão da sociedade: o lado que mais pressiona é o que faz o político decidir.

7- Posso estar enganado, mas percebi que tinha menos pessoas dos que no primeiro encontro. Onde estão os terapeutas do estado do Paraná, que não fazem pressão política para verem suas necessidades atendidas? mas algumas pessoas se saíram muito bem em seus discursos na tribuna: não tivemos quantidade, mas tivemos qualidade, pois embora o discurso político tenha sido neutro, não o foi assim o discurso da tribuna, pois várias pessoas foram bem incisivas em seus pontos de vistas, deixando bem claro a necessidade de se regulamentar as PIC no estado do Paraná.


Amigo, você que está exercendo acupuntura ou qualquer terapia no estado do Paraná, por que não apareceu para defender sua classe? você sabia - como já coloquei acima -, que o Ministério da Saúde entende que só o profissional especialista deve usar a acupuntura? isso significa que se nossa causa não for para frente, você não terá futuro na saúde coletiva, no mínimo. Você sabe quantos terapeutas estão filiados a algum sindicato? uma miséria... querem os trunfos, mas não querem o suor, assim não dá, né?!! Se você está em Curitiba, é terapeuta, acupunturista e atende domiciliarmente, provavelmente está trabalhando na clandestinidade, pois a prefeitura não libera alvará, a não ser via mandato de segurança.

Quem você acha que briga por estas causas, quando não há um conselho (sim, pois ainda não existe a profissão, apenas uma ocupação)? - são os sindicatos.

Meu amigo, se você não está associado a um sindicato...VOCÊ É UM BURRO!

O SATOPAR está lutando por esta causa, junto aos conselhos, junto à casa legislativa do estado, junto à prefeitura de Curitiba, está fazendo história, está criando as bases da nossa profissão, e o mínimo que todos nós podemos fazer é marcar presença e se filiar a um sindicato - não precisa ser o SATOPAR, mas tem que se filiar, pois andorinha sozinha não faz verão.

George Kieling


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Facilitando a vida de um acupunturista iniciante.



Com o pequeno conhecimento de informática que tenho, acabei criando um banco de dados (access) para atendimento de pacientes, bem como incluí links neste banco de dados, para pdf de livros de consulta comuns, tabelas em excel, páginas em formato html e links para programas de acupuntura. Não ficou muito bonito, mas ficou prático. Ainda vou trabalhar nisto para ficar com minha cara.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Microssistemas dentro das Racionalidades Médicas.

Entendo uma Racionalidade Médica (1) exatamente assim como ela o foi definida em suas várias estruturas de constituição, e vou mais além ainda, assim também como ligada ao "status filosófico e religioso" de uma população (ou civilização) em uma determinada época. Se pegarmos a MTC, por exemplo, que está inserida dentro de um momento filosófico e religioso na China antiga, que tinha o TAO como sendo uma filosofia de vida, e onde filosofia e religião se misturavam para explicar a origem do homem e do universo, com o Qi circulando pelo Céu e pelo Homem, podemos então dizer que foi baseado nesta concepção que se criou, ao longo de muitas gerações, todo um sistema de diagnóstico e tratamento, que hoje chamamos de MTC, com sistema de energia circulando por uma cadeia de meridianos no Homem e no Céu: esta é uma das racionalidades médicas - a racionalidade chinesa. Uma outra, seria o sistema de diagnóstico e tratamento que nossos indígenas (nativos dos novos continentes na época do descobrimento) usavam: seria uma fitoterapia, onde as plantas de um certo habitat serviam para curar os males do corpo, neste caso, os indígenas tinham apenas a prática, faltando-lhes a teoria, mas não a invalidando como uma racionalidade. O hinduísmo também propiciou a medicina ayurvedica. A medicina ocidental moderna, que teve sua origem no decaimento sistemático da fé do Homem atual em Deus e criando uma ciência para explicar a vida e o universo; nossa medicina atual está plenamente baseada no modelo cartesiano de estudar as coisas, divindo tudo sempre em partes para tentar reproduzir, o que diga-se de passagem, tem tudo a ver com o método científico; dividimos o corpo humano em partes e tentamos explicar cada uma destas partes em seus detalhes físicos e químicos, e também usamos recursos físicos (cirurgia) e químicos (remédios) para tratar este corpo.
Hoje vivemos este momento filosófico e religioso: afastado de Deus tentamos explicar tudo usando a ciência; então, nossa medicina atual - nossa racionalidade médica atual - é um reflexo disso; todas as outras racionalidades de outros momentos históricos, filosóficos e religiosos, que não se enquadram em nosso momento atual, mas que conseguiram chegar até aqui, ou que estão ressurgindo, são consideradas por nossa medicina, como "complementares": nós, acupunturista, nos dias de hoje, somos complementares.
Nossa medicina complementar (MTC principalmente) conseguiu, através de seus vários recursos e seus vários terapeutas, ao longo de algumas gerações, descobrir e entender os microssistemas, que se baseiam no sistema ECIWO (Embryo containing the information of the whole organism)(2). Mas este sistema, que funciona como uma "racionalidade médica autônoma" parece estar presente em outras racionalidades e parece navegar simultaneamente por todas elas. Veja a cranioacupuntura que usa agulhas (da racionalidade chinesa) em cima do homúnculo de Penfield (3) (racionalidade médica atual), veja a aurculoacupuntura que surgiu na nossa racionalidade atual, mas que usa fundamentos de duas racionalidades na mesma terapia (Pontos da MTC e pontos reflexos da medicina atual), veja também a novíssima terapêutica chamada microfisioterapia (4), que relaciona partes do corpo com memórias de estresses emocionais, numa relação toque-cura, e tendo muito a ver com a nossa psicologia; na Grécia antiga, uma compressa de água quente ou uma massagem era usada como um sistema de cura reflexa no esquema ECIWO. Enfim, são vários esquemas de diagnóstico-cura (terapias) usando os microssistemas que vagueiam entre as racionalidades, e quando digo isso, quero dizer que estes microssistemas também vagueiam no tempo, no espaço, na religião e na filosofia.
Sendo o microssistema tão versátil, não seria ele a chave-mestra no entendimento que nos faria conseguir cruzar o ponto de entroncamento entre os paradigmas atuais da saúde?

Obs.: veja bem, um médico, com sua clínica, ganhando muito dinheiro, não vai dizer que vivemos conflitos e paradigmas, pois ele só conhece a sua medicina; só quem enxerga isto é quem está navegando por estes conhecimentos todos e tentando entender as racionalidades através dos tempos.

Como a ênfase do meu blog parece ser a ciência na saúde atual, podemos pensar que os assuntos aqui parecem isolados, mas no fundo, todos eles estão interligados se formam uma imensa teia de conhecimento, e não vivem um sem o outro, basta subir os degraus, que começamos a perceber toda a escadaria abaixo da gente.

Links:

(1) Racionalidade Médicas. http://racionalidadesmedicas.pro.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antropologia_da_sa%C3%BAde
http://en.wikipedia.org/wiki/Medical_anthropology
(2) ECIWO. http://www.helhetshelse.no/htm/Nils%20Leidal/ECIWO%20eng.htm
http://www.eciwo.sdu.edu.cn/
(3)
homúnculo de Penfield. http://en.wikipedia.org/wiki/Cortical_homunculus
(4) Microkinesitherapie http://pt.wikipedia.org/wiki/Microfisioterapia
http://www.microkinesitherapie.com/pt/