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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares - Resultado da audiência.

Segue abaixo informações sobre o resultado da Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares no estado do Paraná, que foi realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, no dia 13 de setembro de 2011. As informações me foram passadas via e-mail e vieram da Sra. Luci Aquemi Hayashi Machado, presidenta do SATOPAR e organizadora deste evento, e que trás, além dos resultados, uma breve história de sua luta pessoal para que este evento ocorresse, o qual reproduzo aqui, com sua autorização:

"(...)
Os deputados que estavam presentes são os que mais nos interessam: os que fazem parte da Comissão da Saúde Pública e todos eles estavam presentes e como você pode ver, a maioria eram médicos. Alguns deputados enviaram seus representantes através de ofício, mas estes não são chamados à mesa.

Sim, haviam menos pessoas que na primeira reunião. Ma isto era algo que já esperava também, já que tivemos menos respostas às solicitações que fizemos ao longo destes dois meses de divulgação junto às escolas de terapias, faculdades e universidades, conselhos e terapeutas.

Conselhos de classe: somente os de Psicologia e de Odontologia que fez uma grande contribuição sugerindo a inclusão de outras técnicas já reconhecidas pelo CFO, tal como a terapia floral e a laserterapia que não estavam em nosso projeto e o fato de um conselho reconhecer tais terapias, é muito importante para justificar sua inclusão no projeto. Na primeira reunião foram quase todos os conselhos, mas como você disse, a qualidade de contribuições foram maiores.

Universidades e Faculdades: Estiveram presentes a UFPR, Universidade Positivo, Universidade Tuiuti, Instituto Federal, Faculdades Espírita. A Tuiuti e IFPR não se manifestaram. A PUC havia confirmado, mas acabou não indo.

Escolas de acupuntura e terapias: EBRAMEC e Senda (escola de Tai chi chuan e Qi gong)

Outras instituições: FENATE, AIPT, SATOSP, SINATEN.

Terapeutas: metade do quorum anterior.

Pontos positivos: Como organizadora, posso afirmar que andamos mais que esperava.

O que estava esperando? Que conseguisse sensibilizar algum dos deputados presentes para apresentar o projeto estadual de PIC (PEPICP) – Este era o objetivo principal.

Ficamos sabendo que dia 5 de setembro, 1 dia antes do feriadão, o deputado Lemos entrou com o projeto de lei 725/2011 para implantar a PEPIC. Isto quer dizer que nem teremos o trabalho de sensibilizar, está partindo de dois deputados da comissão da saúde.

Histórico: desde a primeira reunião (10 de Junho) venho entregando cópias do projeto aos deputados, por e-mail e impresso, inclusive, entreguei em mãos uma cópia para o deputado Lemos e Cheida que foram os autores do projeto 725, além do convite da audiência pública.

Conclusão: total desarticulação, tanto da minha parte quanto da parte deles porque estamos falando a mesma coisa separadamente, sem um saber do outro;

Fato positivo: agora sabemos um do outro e eles gostaram mais no nosso projeto do que o apresentado por eles.
Fato melhor ainda: marcamos uma reunião para falarmos a mesma linguagem e realizar o substitutivo do projeto original, ou seja, eles irão acatar, se não tudo, mas parte das inclusões feitas por nós à portaria 971 do MS.

Outros fatores positivos: As universidades se mostraram dispostas a conhecer as PIC e isto é um fato importante porque se queremos profissionalizar as PIC, precisamos normatizá-las e quando uma universidade se mostra disposta a “pelo menos” ouvir, agora depende de nós em saber convencê-las sobre a necessidade de investir nesta área de conhecimento.

Na minha percepção (que é sempre otimista), houve uma unanimidade sobre a necessidade de implantar as PIC no Paraná, se isto irá acontecer, é outra historia. Por isto, ainda não podemos descansar.

O único ponto negativo a fazer é: CADÊ OS TERAPEUTAS PARA ENCARAREM ESTA
MUDANÇA DE PARADIGMA EM NOSSO ESTADO?

Eu ouvi os deputados médicos, os representantes das universidades (que eram todos médicos) e em seus discursos, todos querem as PIC no SUS e querem mudanças na condução da saúde pública. Será somente discurso ou realmente tem alguma mudança nisto?

Vou contar um pouco da minha história neste processo:

- levava uma vida sossegada (Rita Lee) como presidente do SATOPAR, lidando com as burocracias básicas de um sindicato pequeno e pobre, tentando garimpar filiados, até que um dia, uma “maluquinha” (quem foi nas duas reuniões, sabe muito bem de quem estou falando) me liga e me pede para conduzir uma audiência pública sobre terapias naturais que ela havia conseguido marcar na Assembleia legislativa do Paraná (ALEP). Com a minha “...vastíssima experiência...” em audiência pública, a primeira mudança foi para audiência sobre política estadual de práticas integrativas e complementares e aos trancos e barrancos, típicos de alguém que não tinha a
mínima noção sobre os trâmites de uma audiência pública, encarei o desafio, pedindo apoio aos meus santinhos, porque das pessoas deste mundo, só da Teresa e da Tânia (a maluquinha).

Na véspera da audiência (9 de junho de 2011) recebi um comunicado que a ALEP havia cancelado e foi a maior correria porque como iria avisar todo mundo? Sem chance. Batemos, eu e Tânia, na porta da ALEP e ficamos lá o dia inteiro tentando “descancelar” o cancelamento, até a segurança da ALEP veio conferir o que estava acontecendo. Alguém (até hoje não sei quem foi) mandou liberar o plenário para que pudéssemos receber os convidados, mas sem a presença de
deputado e sem apoio do cerimonial, estaríamos por conta e risco de nós mesmas. Melhor isto que recebê-los na rua.

Nesta reunião veio muita gente, mas nenhum deputado para nos ouvir. Veio tanta gente que a ALEP ficou preocupada e no meio da reunião, veio um comunicado da presidência da Comissão da saúde de que a audiência seria marcada para uma outra data.

Sobre este fato, apesar de ter começado de forma meio torta, acredito ter sido muito bom, porque eu não estava preparada para enfrentar uma Comissão de Saúde Pública e argumentar com eles. Atribuo este cancelamento repentino, a um ato dos santinhos lá de cima porque logo depois disto, desde junho até final de agosto, veio uma enxurrada de acontecimentos inesperados, que me colocaram em situações inexplicavelmente ligadas às PIC, culminando com um encontro com a dra. Carmem, coordenadora das PIC no ministério da saúde.
Deste conhecimento, vieram orientações e correções no projeto. Isto me tornou mais forte, mais segura e realmente passei a acreditar que o projeto estava muito bom, já que foi aprovado e elogiado pela coordenadora nacional. Ela não pode vir, mas mandou um representante.

Pergunta: Qual a probabilidade de receber um telefonema de Brasília, informando que viria uma pessoa para representar o MS e se alguém poderia ir buscá-lo no aeroporto e neste exato momento, estar atendendo uma aluna (na maca) com acupuntura e depois de desligar, esta aluna percebe minha preocupação, me pergunta o que aconteceu e digo: preciso achar alguém para
ir buscar o representante do MS no aeroporto, e esta aluna se oferece para isto. Quando passei o nome e horário de chegada para ela, ela me liga dizendo que é um grande amigo que conheceu quando morava na Bahia. Ele é pernambucano e foi há pouco tempo trabalhar em Brasília e foi o maior incentivador de ela fazer a especialização em acupuntura. Coincidência?

O QUE QUERO COM ISTO? Dizer que se conseguimos chegar até aqui, qualquer pessoa pode fazer o mesmo em seu estado.

Quando comecei, meu conhecimento político era o de assistir programas políticos para escolher em quem votar, ir em eventos para lutar por algo, mas sempre como povão.

Quando a maioria dos estados possuírem suas políticas de práticas integrativas, teremos uma grande força. Hoje somente três estados possuem.

A União aprovou uma portaria sobre PIC. Os Estados precisam aprovar legislação específica sobre PIC que não precisa ser exatamente igual à portaria ministerial.

As pessoas da coordenadoria de PIC no MS estão surpresas que o Paraná está brigando por sua PEPIC. Para eles, seria um dos últimos estados, senão o último a fazer isto, porque aqui as coisas não funcionam como no restante do Brasil. Somente quem vive aqui sabe como as coisas são por aqui. Acho que é excesso de frio e chuva (frio-umidade) em que tudo fica extremamente
estagnado, pesado, difícil de fluir.

Se até no Paraná foi possível, nos demais estados será infinitamente mais fácil. Encarem esta!

Abraços

Luci Aquemi Hayashi Machado

Presidente (2009-2012)

SATOPAR - Sindicato dos profissionais em Acupuntura e Terapias Orientais do
Estado do Paraná

Rua Jornalista Caio Machado, 87 - Santa Quitéria - PR

(41) 3274-4647 (41) 9985-2222

http://twitter.com/LuciHayashi"

FIM DO EMAIL

Diferença entre Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Ocidental

Após ouvir a explanação do representante da Universidade Positivo quando da Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Paraná para as PIC, e falando sobre a necessidade na Universidade procurar novos meios de lidar com a saúde pública, sem causar tantos danos, como o que ocorre hoje, resolvi postar aqui uma citação interessante sobre o assunto.

O texto abaixo foi retirado do livro: Metodologia da Medicina Tradicional Chinesa, de Huang Jianping (São Paulo: Roca, 2001) e ilustra uma passagem que nos orienta significativamente sobre uma das diferenças fundamentais entre estas duas Racionalidades Médicas.

Cap. 4, pág. 107.

"Na diferenciação das doenças, a Medicina Ocidental também dedica atenção à reação do organismo porque os sinais e sintomas ajudam-lhes a ter algum entendimento das doenças. Entretanto, ainda que existam classificações morfológicas e classificações funcionais das doenças na Medicina Ocidental, sua principal direção é para a classificação a partir das causas das doenças. Procura reconhecer a natureza e a regularidade das doenças e de suas causas. Portanto, a Medicina Ocidental adota o tratamento contra a causa; outros tipos de tratamento, como tratamento suporte e heteropatia são usados apenas como recursos auxiliares. Por exemplo, a Medicina Ocidental afirma que a tuberculose pulmonar é induzida por invasão dos pulmões pelo bacilo da tuberculose e, consequentemente, administra drogas antituberculosas para aniquilar o bacilo. Embora os pacientes A, B, C e D sejam seres humanos diferentes, as causas de suas doenças são as mesmas, a despeito das distintas expressões e de seus sintomas. Os principais métodos terapêuticos adotados pela Medicina Ocidental são os mesmos, também; como um resultado, a Medicina Ocidental não tem necessidade de diferenciar os sintomas.

O método chinês, entretanto, focaliza sobre a reação do organismo, não sobre os fatores patogênicos causadores da doença; desse modo, raramente usa as mesmas prescrições para lidar com bacilos da tuberculose. Os pacientes A, B, C e D são diferentes uns dos outros em constituição, e seus ambientes e outras condições não são as mesmas; sendo assim, dificilmente podem realizar reações idênticas aos bacilos e apresentar os mesmos sintomas. Alguns podem apresentar tosse com pouco flegma, febre baixa nas tardes, calor no peito, palmas das mãos e solas dos pés, boca seca, bochechas vermelhas, nervosismo e insônia, transpiração noturna, pulso apertado e rápido. Tais síndromes são atribuídas à deficiência de yin no pulmão e no rim na Medicina Chinesa. Outros Tuberculosos podem apresentar tosse com muito flegma, pouca força, perda de apetite, voz fraca, face pálida e pulso anormal, devido à deficiência de yang no pulmão e no rim. Levando isso em conta, o médico (n.e. :Médico aqui no contexto, é o formado em práticas da MTC) preparará prescrições diferentes para os dois tipos de pacientes, dando medicamento para o yin e para o Qi para o primeiro, mas medicamento para suportar o yang no baço e pulmão, para o último (n.e.: medicamento aqui diz respeito à fitoterapia usada na MTC). No tratamento da tuberculose, um médico chinês geralmente usa drogas como Radix Stemonae e Spica Prunellae para combater os bacilos da tuberculose. Seu propósito é regular a relação entre o yin e yang no organismo, a fim de ajudá-lo a recobrar o equilíbrio e lutar contra a doença.

Comparando esses dois exemplos podemos verificar que a invasão dos pulmões pelo bacilo da tuberculose é a causa de morte mais comum entre os tuberculosos, mas outros fatores como constituição e ambiente também deveriam ser levados em consideração.
(...)
Tudo isso mostra que ambos - "doença" e "homem" - deveriam ser considerados no tratamento de doenças.
(...)
Se a atenção estiver focalizada meramente no tratamento da "doença", enquanto esquece o "homem", poderia frequentemente acontecer de, embora a causa seja eliminada, o homem ainda permanecer em estado não muito harmonioso de exaustão ou desconforto. Poderia até mesmo ocorrer de, enquanto a enfermidade em questão tenha permanecido sob controle, certas doenças novas poderiam ser introduzidas. Por outro lado, se a atenção é focalizada meramente no tratamento do organismo do "homem", enquanto se negligencia a causa da doença, em geral, pode acontecer de os sintomas do paciente terem melhorado, mas a causa não tenha sido completamente eliminada, e o distúrbio ainda esteja oculto.

Portanto, o propósito de nossa nova ciência médica é aprender sobre a universalidade e particularidade de uma doença, e tentar curar tanto a doença quanto o homem."



As técnicas da MTC podem matar um microorganismo? ... bem, este seria a continuação do texto, que não vou colocar aqui; mas para adiantar, podemos intuir que regulando o yin e o yang no organismo, que é a base da MTC, o corpo fortalecido e harmonizado terá força suficiente para combater e expulsar o microrganismo.

Mas não deixe a indústria farmacêutica saber disso, viu ?????

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Audiência pública sobre Práticas Integrativas e Complementares no estado do Paraná.

Dia 13 de setembro de 2011 (hoje), as 10:00h, foi realizada a Segunda Audiência Pública sobre Práticas Integrativas e Complementares na Assembleia Legislativa do estado do Paraná (Plenarinho). Estavam presentes alguns poucos parlamentares, representantes de algumas entidades públicas e privadas, o público composto de terapeutas diversos e docentes, a representação do SATOPAR - incentivadora do evento - e eu, na qualidade de ouvinte e aluno ainda de acupuntura.

Não é tarefa minha colocar um resumo deste encontro, mas como participante passivo deste processo, sinto uma enorme necessidade de compartilhar seus resultados, a fim de que as informações sejam passadas adiante. Como não tenho os dados oficiais do evento, nem estou ligado a sua administração, coloco aqui apenas minhas impressões pessoais sobre o resultado, não citando os nomes dos participantes.

1- O representante da saúde no nível federal deixou bastante claro, que o Ministério quer a "acupuntura" sendo exercida por especialistas dentro de suas respectivas áreas, quando se trata das PIC (práticas integrativas e complementares) e não abre mão disso;

2- O Ministério da saúde no nível federal já fala a linguagem das Racionalidades Médicas (http://caminhosdaenergia.blogspot.com/2011/07/microssistemas-dentro-das.html) e isto parece muito importante, visto que quebra um pouco a hegemonia da medicina ocidental, reconhecendo outras formas de tratar o paciente. Além de algumas racionalidade médicas (como a MTC) o ministério também reconhece algumas técnicas terapêuticas (como as águas termais) dentro das PIC;

3- O estado do Paraná está atrasado em sua implementação das PIC com relação a outros estados da União, mas se começar agora, ficará adiantado pelo menos na região sul. Nosso projeto estadual das PIC está começando agora com esta proposta, que pode melhorar um projeto já em andamento na casa legislativa: tudo que falta é força nossa e vontade política;

4- Não dá para dizer que houve representação das universidades públicas e privadas, mas foi um representante da Universidade Positivo e um da UFPR; claro que o discurso foi neutro e genérico, mas algo de básico deu para captar: UP: mostrou claramente que a profissão do médico não atende a demanda da população, inclusive que pode até ser prejudicial em alguns casos e que a sociedade precisa articular outras formas de gerir a saúde. UFPR: mostrou que a universidade está querendo ensino generalista para médico e não especialista em doenças, e está investindo na pesquisa científica visando a fitoterapia, dentro do contexto das PIC: preocupante ou tranquilizador, isso?

5- Não vi na mesa representatividade de conselhos de classes profissionais de saúde, que estavam presente no primeiro encontro.

6- O discurso político foi neutro e a favor na proposta apresentada, como deveria de ser, pois afinal, político não tem decisão, eles são impulsionados por pressão da sociedade: o lado que mais pressiona é o que faz o político decidir.

7- Posso estar enganado, mas percebi que tinha menos pessoas dos que no primeiro encontro. Onde estão os terapeutas do estado do Paraná, que não fazem pressão política para verem suas necessidades atendidas? mas algumas pessoas se saíram muito bem em seus discursos na tribuna: não tivemos quantidade, mas tivemos qualidade, pois embora o discurso político tenha sido neutro, não o foi assim o discurso da tribuna, pois várias pessoas foram bem incisivas em seus pontos de vistas, deixando bem claro a necessidade de se regulamentar as PIC no estado do Paraná.


Amigo, você que está exercendo acupuntura ou qualquer terapia no estado do Paraná, por que não apareceu para defender sua classe? você sabia - como já coloquei acima -, que o Ministério da Saúde entende que só o profissional especialista deve usar a acupuntura? isso significa que se nossa causa não for para frente, você não terá futuro na saúde coletiva, no mínimo. Você sabe quantos terapeutas estão filiados a algum sindicato? uma miséria... querem os trunfos, mas não querem o suor, assim não dá, né?!! Se você está em Curitiba, é terapeuta, acupunturista e atende domiciliarmente, provavelmente está trabalhando na clandestinidade, pois a prefeitura não libera alvará, a não ser via mandato de segurança.

Quem você acha que briga por estas causas, quando não há um conselho (sim, pois ainda não existe a profissão, apenas uma ocupação)? - são os sindicatos.

Meu amigo, se você não está associado a um sindicato...VOCÊ É UM BURRO!

O SATOPAR está lutando por esta causa, junto aos conselhos, junto à casa legislativa do estado, junto à prefeitura de Curitiba, está fazendo história, está criando as bases da nossa profissão, e o mínimo que todos nós podemos fazer é marcar presença e se filiar a um sindicato - não precisa ser o SATOPAR, mas tem que se filiar, pois andorinha sozinha não faz verão.

George Kieling


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Facilitando a vida de um acupunturista iniciante.



Com o pequeno conhecimento de informática que tenho, acabei criando um banco de dados (access) para atendimento de pacientes, bem como incluí links neste banco de dados, para pdf de livros de consulta comuns, tabelas em excel, páginas em formato html e links para programas de acupuntura. Não ficou muito bonito, mas ficou prático. Ainda vou trabalhar nisto para ficar com minha cara.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Microssistemas dentro das Racionalidades Médicas.

Entendo uma Racionalidade Médica (1) exatamente assim como ela o foi definida em suas várias estruturas de constituição, e vou mais além ainda, assim também como ligada ao "status filosófico e religioso" de uma população (ou civilização) em uma determinada época. Se pegarmos a MTC, por exemplo, que está inserida dentro de um momento filosófico e religioso na China antiga, que tinha o TAO como sendo uma filosofia de vida, e onde filosofia e religião se misturavam para explicar a origem do homem e do universo, com o Qi circulando pelo Céu e pelo Homem, podemos então dizer que foi baseado nesta concepção que se criou, ao longo de muitas gerações, todo um sistema de diagnóstico e tratamento, que hoje chamamos de MTC, com sistema de energia circulando por uma cadeia de meridianos no Homem e no Céu: esta é uma das racionalidades médicas - a racionalidade chinesa. Uma outra, seria o sistema de diagnóstico e tratamento que nossos indígenas (nativos dos novos continentes na época do descobrimento) usavam: seria uma fitoterapia, onde as plantas de um certo habitat serviam para curar os males do corpo, neste caso, os indígenas tinham apenas a prática, faltando-lhes a teoria, mas não a invalidando como uma racionalidade. O hinduísmo também propiciou a medicina ayurvedica. A medicina ocidental moderna, que teve sua origem no decaimento sistemático da fé do Homem atual em Deus e criando uma ciência para explicar a vida e o universo; nossa medicina atual está plenamente baseada no modelo cartesiano de estudar as coisas, divindo tudo sempre em partes para tentar reproduzir, o que diga-se de passagem, tem tudo a ver com o método científico; dividimos o corpo humano em partes e tentamos explicar cada uma destas partes em seus detalhes físicos e químicos, e também usamos recursos físicos (cirurgia) e químicos (remédios) para tratar este corpo.
Hoje vivemos este momento filosófico e religioso: afastado de Deus tentamos explicar tudo usando a ciência; então, nossa medicina atual - nossa racionalidade médica atual - é um reflexo disso; todas as outras racionalidades de outros momentos históricos, filosóficos e religiosos, que não se enquadram em nosso momento atual, mas que conseguiram chegar até aqui, ou que estão ressurgindo, são consideradas por nossa medicina, como "complementares": nós, acupunturista, nos dias de hoje, somos complementares.
Nossa medicina complementar (MTC principalmente) conseguiu, através de seus vários recursos e seus vários terapeutas, ao longo de algumas gerações, descobrir e entender os microssistemas, que se baseiam no sistema ECIWO (Embryo containing the information of the whole organism)(2). Mas este sistema, que funciona como uma "racionalidade médica autônoma" parece estar presente em outras racionalidades e parece navegar simultaneamente por todas elas. Veja a cranioacupuntura que usa agulhas (da racionalidade chinesa) em cima do homúnculo de Penfield (3) (racionalidade médica atual), veja a aurculoacupuntura que surgiu na nossa racionalidade atual, mas que usa fundamentos de duas racionalidades na mesma terapia (Pontos da MTC e pontos reflexos da medicina atual), veja também a novíssima terapêutica chamada microfisioterapia (4), que relaciona partes do corpo com memórias de estresses emocionais, numa relação toque-cura, e tendo muito a ver com a nossa psicologia; na Grécia antiga, uma compressa de água quente ou uma massagem era usada como um sistema de cura reflexa no esquema ECIWO. Enfim, são vários esquemas de diagnóstico-cura (terapias) usando os microssistemas que vagueiam entre as racionalidades, e quando digo isso, quero dizer que estes microssistemas também vagueiam no tempo, no espaço, na religião e na filosofia.
Sendo o microssistema tão versátil, não seria ele a chave-mestra no entendimento que nos faria conseguir cruzar o ponto de entroncamento entre os paradigmas atuais da saúde?

Obs.: veja bem, um médico, com sua clínica, ganhando muito dinheiro, não vai dizer que vivemos conflitos e paradigmas, pois ele só conhece a sua medicina; só quem enxerga isto é quem está navegando por estes conhecimentos todos e tentando entender as racionalidades através dos tempos.

Como a ênfase do meu blog parece ser a ciência na saúde atual, podemos pensar que os assuntos aqui parecem isolados, mas no fundo, todos eles estão interligados se formam uma imensa teia de conhecimento, e não vivem um sem o outro, basta subir os degraus, que começamos a perceber toda a escadaria abaixo da gente.

Links:

(1) Racionalidade Médicas. http://racionalidadesmedicas.pro.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antropologia_da_sa%C3%BAde
http://en.wikipedia.org/wiki/Medical_anthropology
(2) ECIWO. http://www.helhetshelse.no/htm/Nils%20Leidal/ECIWO%20eng.htm
http://www.eciwo.sdu.edu.cn/
(3)
homúnculo de Penfield. http://en.wikipedia.org/wiki/Cortical_homunculus
(4) Microkinesitherapie http://pt.wikipedia.org/wiki/Microfisioterapia
http://www.microkinesitherapie.com/pt/

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Por que o método científico não entende a acupuntura? - Parte I: ponto de vista do observador.

Quando há o encontro de dois saberes, e ambos tentam explicar alguma coisa, surgem então os paradoxos, e é à luz dos paradoxos que nossa mente se ilumina para uma nova abordagem de um problema. Mas você só conseguirá uma nova abordagem se estiver navegando pelos vários saberes, pois enquanto estiver enraizado em crenças únicas, dificilmente você consiguirá ver qualquer luz no fim do túnel.

Antes de mais nada é bom que fique claro que o método científico que temos hoje é ainda a melhor ferramenta que dispomos para estudar a natureza e sua interação com as coisas . E é à luz dela que muitos pesquisadores tentam explicar a acupuntura.

A OMS reconhece comprovação científica em várias patologias que podem ser tratadas pela acupuntura, mas mesmo assim, sempre surgem cada vez mais estudos científicos tentando provar se existe eficácia ou não com o uso das agulhas. Infelizmente estes estudos estão cheios de viéses; há tantos interesses querendo provar ou não o uso de agulhas, que não é mais possível acreditar na real arte de se fazer um estudo usando o método científico: ... quem faz a pesquisa é médico ou acupunturista? ... quem patrocínia a pesquisa tem interesse nela? ... quem pesquisa, entende de acupuntura ou entende de pesquisas?

Tudo isso são viéses que impedem uma boa qualidade de qualquer estudo.
Mas um outro ponto que precisamos levar em consideração é sobre a questão da pesquisa estar testando a eficácia da acupuntura numa população, que não vou discutir aqui, ou estar testando o modus operandi desta arte.

Se desconsiderarmos os viéses, é fácil perceber se um tratamento de acupuntura é eficiente ou não através do método científico, pois com uma metodologia apropriada, consegue-se perceber com certa segurança qual seu nível de eficácia em certa parcela da população. Mas mesmo assim, as pesquisas não batem coerentemente com a prática de um consultório e ainda ficamos na dúvida se estas pesquisas são válidas para a acupuntura.

Mas, outros estudos, tentam entender a acupuntura e explicá-la. Muitos pesquisadores devem estar redondamente enganados sobre o que realmente seja acupuntura, ou então precisam rever seus conceitos sobre metodologia científica, pois já vi muitos estudos dizendo que o modo de atuação da acupuntura se baseia na liberação de substâncias químicas no ponto de acupuntura, ou então estimulam um nervo apropriado, ou fazem a estimulação do dermátono correspondente e tantas outras baboseiras, que no fundo, nada têm a ver com a acupuntura. Ora, se você estimula um ponto de acupuntura com uma agulha e libera substância química no cérebro, devido ao estímulo nervoso, não estamos falando de acupuntura, mas sim de eletroestimulação - que é um recurso da fisioterapia, e que se estuda na medicina também. Um pesquisador que conduz um estudo deste tipo para entender a acupuntura, está, na verdade, conduzindo uma pesquisa médica, fisioterapêutica, dermatológica, ou qualquer outra.

Qualquer aluno de acupuntura sabe que a terapêutica envolvida na acupuntura se dá através da regulação da energia (Qi) nos meridianos do corpo; então, qualquer pesquisa séria sobre isso tem que estudar o processo de circulação de energia pelo corpo, e aqui é que reside nosso grande paradigma, porque é impossível para uma mente cartesiana tentar entender o todo de um organismo, pois nossa tendência sempre será "separar e contar".

Um exemplo marcante disso é o fato de um pesquisador precisar estar completamente isolado do seu experimento para poder testar sua hipótese com isenção: o duplo (triplo) cego. Quando a pesquisa envolve medicamentos, automóveis, material químico..., talvez até passe, pois as variáveis envolvidas são tão poucas, que seu controle se torna fácil, mas quando falamos da vida a quantidade de variáveis são infinitas. Hoje, a industria farmacêutica, por exemplo, lança seus novos remédios no mercado após testes exaustivos e experiências controladas em, talvez...2 anos, na ânsia por lucro imediado, mas como você poderá testar todas as respostas de um novo medicamento e em várias gerações com apenas dois anos? ...claro, em letras minúsculas você encontrará na bula: "não usar em pacientes tais e tais e tais" e ..."outras reações não esperadas podem ocorrer", tudo porque os testes em laboratórios estão cheios de viéses. Como acreditar em pesquisas feitas destas forma?

A acupuntura está ressurgindo nos dias atuais, talvez pela necessidade de uma forma mais segura e menos perigosa de tratar as pessoas e vem esbarrando sistematicamente nestes padrões cartesianos de pesquisa científica.

Um dos maiores erros na pesquisa científica dentro da acupuntura, ao meu ver, é o fato dela retirar o observador do experimento, pois assim preconiza a metodologia. E é aqui que é onde encontramos um grande paradigma... na convergência de dois conhecimentos profundos.

Desde a época do auge da civilização grega já se dizia que o átomo era a substância fundamental da matéria; no século XX os avanços tecnológicos nos tornaram possível conhecer os átomos, ainda indivisível; mas muitas pesquisas recentes alteraram este conhecimento, o átomo foi bombardeado e muitas particulas dele foram originadas (hoje conhecemos perto de 200 partículas) e ele deixou de ser indivisível; dentro do átomo descobriu-se que existe uma imensidão de vazio, que as particulas se comportam como matéria e como onda, que uma partícula pode ser convertida em energia; descobriu-se também que quando você bombardeia um elemento, você cria outro elemento (antimatéria) que logo se desfaz, enfim, o conceito de matéria e energia que tínhamos do universo mudou radicalmente, diferente do que se pensava há algumas décadas. Hoje sabemos que quanto mais você divide o átomo, mas vazio você encontra lá dentro, e chega um momento em que não existe mais matéria, mas apenas energia circulando, e também que você não sabe a real posição daquela energia, a menos que você olhe diretamente para ela (interaja), pois a energia parada não representa nada, e só vale alguma coisa em movimento e quando se relaciona com outras energias a sua volta, e tudo isso estará influenciado por quem observa. Veja, para entender melhor estes conceitos será necessário ler um livro de física atual, pois estas poucas informações que coloco aqui não serão suficientes para entender todo o processo.

Vou colocar aqui abaixo uma citação de um livro, que explica melhor o exposto acima:

"A teoria quântica acabara de pôr abaixo os conceitos clássicos de objetos sólidos e de leis da natureza estritamente determinista. No nível subatômico, os objetos materiais sólidos da física clássica dissolvem-se em padrões de probabilidades semelhantes a ondas; esses padrões, em última instância, não representam probabilidades de coisas, mas, probabilidades de interconexões. Uma análise cuidadosa do processo de observação na física atômica tem demonstrado que as partículas subatômicas não possuem significado enquanto entidades isoladas, somente podendo ser compreendidas como interconexões, como a preparação de um experimento e sua posterior medição. A teoria quântica revela, assim, uma unidade básica no universo. Mostra-nos que não podemos decompor o mundo em unidades menores dotadas de existência independente. À medida que penetramos na matéria a natureza não nos mostra quaisquer "blocos básicos de construção" isolados. Ao contrário, surge perante nós como uma complicada teia de relações entre as diversas partes do todo. Essas relações sempre incluem o observador, de maneira essencial. O observador humano constitui o elo final na cadeia de processo de observação, e as propriedades de qualquer objeto atômico só podem ser compreendidas em termos de interação do objeto com o observador. Em outras palavras, o ideal clássico de uma descrição objetiva da natureza perde sua validade. A partição cartesiana entre o eu e o mundo, entre o observador e o observado não pode ser efetuado quando lidamos com a matéria atômica."

O texto acima refere-se a constituição atômica da matéria, naturalmente, mas é preciso entender que o que entendemos por matéria está cada vez mais se tornando energia, e que esta energia é a energia que o acupunturista lida no seu dia-a-dia, e que é a mesma energia que os antigos chineses já explicavam para gente:

Acima existe o Céu, abaixo existe a Terra, no meio estão os Homens. O céu girando sobre a Terra inicia a contagem do tempo e tudo passa a ser cíclico; o Yang inicia o dia, cresce, dininui, dá lugar ao Yin, que cresce e depois diminui também dando inicio novamente ao ciclo do Yang. Este processo circular de energia ocorre no Céu, na Terra e dentro do nosso corpo (no Homem); esta energia percorre ciclicamente nossos meridianos fazendo com que a cada duas horas a energia se torne abundande em um trajeto abrindo e fechando os pontos corretos para regular o fluxo desta mesma energia em seu excesso ou deficiência, percorre também pelo sangue em nossos pulsos, percorre nos rios sobre a terra, no passar das estações, dá origem ao inicio das colheitas nas plantações e está acima de nossas cabeças guiando as estrelas pelo Céu. Está tudo interconectado. E se não interferíssemos em nada, saberiamos sobre as plantações, sobre as marés, sobre as doenças, sobre o dia da nossa morte, como era feito antigamente. Esta é uma visão sumária de um modo taoísta de ver o universo, que é o que explica a acupuntura.

O fato de não mais pensarmos em matéria, mas em energia, e de estarmos todos interligados com nosso meio ambiente, nos trás de novo a questão da metodologia científica; para estudar a acupuntura é preciso entrar dentro da acupuntura, vivenciá-la, pois mais do que um tratamento, ela é uma experiência sensorial, e se um pesquisador ou um acupunturista não vivenciar seu experimento, ele não vai funcionar.

Uma experiencia vivida por Eugen Herrigel nos mostra claramente esta interconexão de tudo:

"Herrigel passou mais de cinco anos com um célebre mestre japonês para aprender sua arte "mística", e nos dá em seu livro um relato pessoal da forma como fez a experiência do Zen através do manejo do arco e da flecha. Ele descreve como a arte de manejar o arco e a flecha foi-lhe apresentada como um ritual religioso "dançando" em movimentos espontâneos e realizados sem esforço e sem propósito. Henrrigel precisou de muitos anos de prática exaustiva, que acabaram por transformar todo o seu ser, para que pudesse aprender como vergar o arco "espiritualmente", fazendo uma espécie de força sem esforço, e como soltar a corda "sem intenção", deixando o disparo "cair das mãos do arqueiro como uma fruta madura". Quando alcançou o apogeu da perfeição, o arco, a flecha, o alvo e o arqueiro fundiram-se num só e Herrigel não disparou, mas "disparam" para ele".

Ao invés de arco, flecha, alvo e arqueiro, imagine: acupunturista, agulha e paciente, todos interconectados na energia do Qi, seria possível isolar uma destas variáveis num estudo científico sério na acupuntura?

"Uma folha de bambu no inverno acumula a neve sobre si até que um determinado momento, a folha se dobra e a neve cai. Não é a folha que derruba a neve, ela deixa cair." A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen - Herrigel, Eugen.

É muito dificil tentar passar conceitos amplos através de palavras, pois vai muito contra o que se prega dentro da filosofia oriental, pois nesta, é preciso vivenciar este conhecimento. É preciso que cada pessoa busque a sua própria explicação através da vivência, por isso o texto acima pode parecer um tanto confuso; mas ele tem as bases do taoismo, da cronoacupuntura, da metodologia científica e da teoria quântica da matéria.

São conceitos muito amplos, que eu também estou aprendendo só agora, para apenas tentar justificar o erro impecável da metodologia científica que tenta explicar a acupuntura isolando o observador do experimento. Em meu ponto de vista, é uma enorme falha no método e haverá tantas outras falhas, enquanto não mudarmos o ponto de vista: não estamos lidando com matéria e sim com energia, não devemos olhar as partes e sim o todo.

George Kieling

Comentários adicionais sobre o texto acima (02 jul 2011)

A questão do ponto de vista do observador é tão importante na pesquisa científica da acupuntura, que senti necessidade de fechar o texto com um esclarecimento adicional. Darei aqui dois exemplos retirados de livros, que deixam bem claro o ponto de vista:

Imagine que você está observando um peixe num aquário e que você está de frente para esse aquário e que este peixe está nadando de encontro a você, indo para frente do aquário. Você verá um peixe com 2 olhos, certo?
Mas agora você, como observador, vai olhar o mesmo peixe, nadando ainda na mesma direção (para a frente do aquário), mas da lateral do aquário. Verá que o peixe tem um forma afunilada diferente, e você vê o peixe que agora lhe parece ter apenas um olho.

A realidade não mudou, o objeto de estudo que é o peixe, também não mudou; a única coisa que mudou foi o ponto de vista de observador e com isso a noção de realidade do observador também mudou.

Segundo exemplo: imagine uma rosquinha (doce de padaria)



com aquela sua forma de anel engrossado; imagine um plano (da matemática descritiva) divindo a rosquinha em duas meias luas. Sob a perspectiva do plano bidimencional que dividiu a rosquinha você pensará que os dois círculos feito pelo corte são independentes entre si; mas se você analisar o espaço tridimencional onde a rosquinha está inserida (em que o plano também está) então os dois circulos fazem parte de uma mesma rosquinha. Quando se observa a rosquinha de ângulos diferente, a realidade - que é a mesma - nos aparece também de forma diferente.

No dia-a-dia do ser humano comum não há necessidade de separar o espaço do tempo: são coisas distintas, mas se observarmos sob uma nova ótica, a ótica das partículas atômicas, então não podemos separar estas duas grandezas, pois Einstein já nos dizia que eles formam um novo conjuto chamado espaço-tempo (uma quarta dimensão): a realidade não mudou, mas nossa perspectiva de ver as coisas é que mudaram.

A acupuntura lida com a energia circulante no corpo, no planeta, no universo; esta energia flui por caminhos que não vemos, mas que apenas deduzimos, cujas pesquisas começam a ganhar vulto nos dias atuais . Estamos entrando numa outra perspectiva de ver e entender o mundo, nosso modo de ver esse novo mundo, é agora olhado sob um outro ângulo. Nós não conseguimos ver a realidade como ela é, pois estamos acostumado a catalogar a realidade segundo uma visão limitada por nossos sentidos e nossos preconceitos, já os orientais antigos, místicos, religiosos, que praticam a acupuntura, que fazem meditação, que têm uma vida mais em sintonia com o seu meio ambiente, conseguem perceber o seu ambiente em um outro nível de realidade, mas não conseguem traduzir essa realidade em palavras, por serem estas muito limitadas para exprimir coisas que nossa mente não entende; daí qualquer estudo científico envolvendo a energia Qi ser muito difícil de ter sua validade certificada nos moldes atuais de pesquisa científica.

Se um terapeuta trata seu paciente direcionando a energia Qi através das agulhas, e alguém de fora observa este tratamento, todos de certa forma estarão influindo na realidade única, mas com pontos de vista diferentes um do outro. Isto tem que ser levado em consideração no experimento, pois se ficarmos isolando paciente, terapeuta e pesquisador, cada uma destas situações será/terá uma visão diferente da mesma realidade. E a acupuntura não será provada cientificamente deste jeito.

Este é o foco deste assunto.

Deixemos o placebo para um outro post.

George Kieling



domingo, 27 de março de 2011

Comprovações científicas sobre a acupuntura - necessidade ou interesses?

Vou postar aqui no blog uma informação completa que retirei do Site da Folha (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/789404-medicos-ocidentais-querem-provas-de-que-acupuntura-funciona.shtml, de 27/08/2010) e logo abaixo tecer meus comentários.

Ficará um pouco longo, mas vou tentar mostrar como é preciso separar o joio do trigo para entendermos qualquer informação científica que possa chegar até nós, principalmente pelos meios oficiais de comunicação. Muitas vezes essas informações são desencontradas, sem nexo, produzidas por interesses diversos e abrangendo apenas um lado da história. O site da folha, muito bom veículo de comunicação por sinal, peca na hora de não deixar links para coomentários, para que a informação possa ser discutida.

"27/08/2010 - 06h39

Médicos ocidentais querem provas de que acupuntura funciona

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TARA PARKER POPE
DO "THE NEW YORK TIMES"

Há pelo menos dois mil anos, curandeiros chineses usam a acupuntura para tratar dores e outros problemas de saúde. Agora, os médicos ocidentais querem provas de que a prática funciona.

Há poucas dúvidas de que as pessoas se sentem melhor após receber o tratamento, onde finas agulhas são inseridas profundamente na pele em pontos específicos do corpo. Mas elas estariam se beneficiando da própria acupuntura, ou simplesmente sentindo um efeito placebo?

A discussão foi abastecida, na última semana, por um estudo na revista "Arthritis Care and Research". Pesquisadores do Centro de Câncer MD Anderson, em Houston, descobriram que, para 455 pacientes com uma grave artrite no joelho, a acupuntura entregou o mesmo alívio que um tratamento falso.

Na verdade, os pacientes conseguiram uma redução significativa na dor com ambos os tratamentos uma redução média de um ponto, numa escala de um a sete. críticos sustentam que o estudo foi mal projetado.

Para começar, segundo eles, os pacientes dos dois grupos receberam tratamentos com agulhas e estímulos elétricos; a principal diferença era que, no grupo do procedimento falso, as agulhas não eram inseridas tão profundamente, e os estímulos tinham uma duração bem menor.

No mundo real, porém, um acupunturista experiente personalizaria o tratamento aos sintomas específicos de cada paciente. Neste estudo, os pacientes do grupo de acupuntura "real" receberam as agulhas todos da mesma forma.

Em outras palavras, vez de provar que a acupuntura não funciona, o estudo pode sugerir que ela funciona mesmo quando mal realizada. Mas a verdadeira lição, segundo os defensores da prática, é o quão difícil pode ser aplicar os padrões de pesquisa ocidentais a uma arte de cura da antiguidade.

"As pessoas dizem que não existem pontos inativos para a acupuntura basicamente, qualquer lugar do corpo onde você inserir uma agulha será um ponto ativo", explicou Alex Moroz, experiente acupunturista que dirige o programa de músculo e esqueleto do departamento de medicina de reabilitação da Universidade de Nova York. "Existe uma corrente de literatura que argumenta que toda a abordagem ao estudo da acupuntura não se presta ao método científico reducionista do Ocidente".

Porém, a principal autora do estudo, Maria E. Suarez-Almazor, aponta que o tratamento falso foi desenvolvido com a ajuda de acupunturistas experientes. Num estudo de medicamentos, uma resposta igual nos grupos de tratamento e placebo provaria que o medicamento não funciona, diz ela.

"Nós realmente trabalhamos com acupunturistas que são treinados no estilo chinês tradicional, e pedimos que eles inventassem um processo falso que fosse crível", afirmou Suarez-Almazor. "Nós não planejamos um estudo para mostrar que a acupuntura não funciona. Os resultados vieram sem nenhuma diferença entre os grupos".

A pesquisa da MD Anderson, assim como outros estudos recentes sobre a acupuntura, geraram especulações de que a picada da agulha, seja ela da verdadeira acupuntura ou de uma versão falsa, pode influenciar a forma como o corpo processa a transmite sinais de dor. Um estudo de 2007 com 1.200 pacientes com dor nas costas, financiado por companhias de seguros da Alemanha, mostrou que cerca da metade dos pacientes, igualmente nos grupos de acupuntura real e falsa, sentiam menos dores após o tratamento, frente a apenas 27% dos que haviam recebido fisioterapia ou outro tratamento tradicional para as costas.

Quando os alemães rastrearam a quantidade de remédios para dor usada pelos pacientes, eles identificaram uma diferença considerável entre a acupuntura real e o tratamento falso. Apenas 15% dos pacientes do grupo de acupuntura precisaram de remédios adicionais para dor, frente a 34% daqueles no grupo falso. O grupo que recebeu tratamentos convencionais para as costas se saiu ainda pior: 59% desses pacientes precisaram de analgésicos adicionais.

Os pesquisadores, que publicaram suas descobertas em "Archives of Internal Medicine", especularam que a inserção de agulhas numa região com dor pode ter causado um "efeito super placebo", desencadeando uma série de reações que alteram a forma como a o corpo experimenta a dor.

Outro estudo, este financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA e publicado em 2004, descobriu que a acupuntura reduzia significativamente a dor e melhorava a função em pacientes com artrite no joelho frente a um tratamento falso ou aos tratamentos de rotina para o joelho.

No entanto, esse resultado foi questionado, pois os pacientes do grupo falso provavelmente descobriram que não estavam recebendo o tratamento verdadeiro. Eles receberam apenas duas inserções de agulhas no abdômen, enquanto uma agulha era simplesmente pressionada por nove regiões da perna e colada à pele para imitar a acupuntura. Uma simulação de máquina de estímulos elétricos zumbia e piscava ao lado, mas não emitia qualquer corrente ao corpo.

Neste ano, pesquisadores do Hospital Henry Ford, em Detroit, solucionaram o problema da criação de uma acupuntura falsa: eles não o fizeram. Em vez disso, compararam a acupuntura a um remédio comprovado o Effexor, um antidepressivo que provou reduzir significativamente as ondas de calor em pacientes com câncer de mama.

Os resultados foram surpreendentes. A acupuntura aliviou as ondas de calor tanto quanto o Effexor, com menos efeitos colaterais. O grupo da acupuntura relatou mais energia e até mesmo um aumento no impulso sexual, em comparação ao grupo usando o Effexor.

"Existem algumas coisas que você não pode estudar da mesma forma que fazemos com remédios", disse Eleanor M. Walker, diretora de oncologia de câncer de mama do Sistema de Saúde Henry Ford. "O ponto que não pode ser discutido em meu estudo é a duração do efeito. Ele dura, e o efeito placebo acaba assim que você interrompe o tratamento".

Porém, os crentes na acupuntura dizem não se importar se estudos científicos ocidentais descobrirem que o tratamento surte um forte efeito placebo. Afinal, o objetivo do que eles chamam de medicina integrativa, que combina tratamentos convencionais e alternativos, como a acupuntura, é o de armar o poder do corpo de curar a si mesmo. Não importa se esse poder é estimulado por um efeito placebo ou pela habilidosa inserção de agulhas.

"Na medicina integrativa, quando os pacientes estão envolvidos em seu processo de cura, eles geralmente têm uma tendência a melhorar", explicou Angela Johnson, praticante de medicina chinesa no Hospital Infantil Rush, em Chicago, que está conduzindo um estudo-piloto sobre a acupuntura para aliviar a dor em crianças. "Acredito que isso seja parte da razão pela qual eles melhoram"."


Meus comentários:

O método científico ou a metodologia científica teve suas origens baseadas nas idéias de René Descartes, que em sumas palavras, preconizava que deveríamos dividir o todo em partes para melhor entendê-lo e nos especializaramos então em cada parte. Seguindo a mesma linha de pensamento vimos irromper, alguns anos mais adiante, a era Ford (montadora de carros), onde tivemos o advento da linha de produção em série, com cada trabalhador especializado em uma determinada etapa do processo - víamos surgir então a necessidade de produção em larga escala, e as especializações em várias categorias dentro dessa linha de montagem, e tudo isso de acordo com o momento sócio-político-cultural daquela época, que exigia mais trabalho para as pessoas que vinham do campo para as cidades. No tacante a saúde, o Relatório Flexner, de 1910 pregou este mesmo princípio - o de separar o todo em partes, para estudar, entender, modelar e reproduzir em série, vimos então este processo ser aplicado nas escolas médicas, formando o médico da linha de montagem que ainda vemos hoje, muito preocupado com a quantidade e não com a qualidade.

Hoje, o que sabemos sobre a metodologia científica é que se quisermos entender bem um fenômeno precisamos dividí-lo em partes, pegar apenas uma destas partes, juntar todas as variáveis que se relacionam com esta parte, estudar sua relação causa-efeito e então criarmos uma fórmula que, se usada na causa de um outro fenômeno parecido, criaria o mesmo resultado previsto pela fórmula; estuda-se o problema, cria-se uma fórmula, usamo-na para tudo que seja parecido! um tanto capitalista, não?... só penso que, se usado isso em linhas de montagem, o lucro será bem maior. Parte-se do pressuposto que tudo funciona da mesma maneira, parte-se do pressuposto que podemos dividir tudo em partes e estudar as partes separadamente. Isto tem funcionado adequadamente em muitas "coisas", mas... e na coisa chamada "vida"?

Existem muitos fatores que são extrínsecos à propria metodologia científica e que a torna prejudicial a qualquer conhecimento que precisemos estudar, eis alguns:

a) quem divulga a pesquisa científica são os jornais que fazem um "meio-de-campo" entre a produção científica e o população; nem um nem outro sabe interpretar isso corretamente e então a pesquisa não chega verdadeira à população, que como exemplo, poderia ter como idéia que café faz bem à saude, mas que em outra pesquisa poderia fazer mal; ou que dietético emagrece, mas que em outras pesquisas poderia ser um veneno; ou ainda que fitoterápicos são naturais e são usados por nossos avós há muitos anos, mas que segundo outros estudos poderiam ser maléficos sem a comprovação científica ou sem serem receitados por médicos e/ou criados dentro da indústria farmacêutica;

b) interesses pessoais ou corporativos na divulgação da pesquisa científica: será que interessa para a indústria a cura de uma doença ou apenas o controle sobre a doença; será que o fitoterápico é prejudicial à pessoa ou se você usar um produto natural você vai deixar de ser consumidor e o lucro da indústria vai diminuir?

c) a qualidade da produção científica: como todos querem ver seu nome estampado em algum lugar hoje em dia, então só se pesquisa o que dá IBOPE ou que cause alarde, e também muitas pesquisas são feitas por pessoas e empresas que não obedecem critérios rigorosos de metodologia. Vejo produção científica publicada em jornal sério e por pessoas idôneas que ... vou te contar...dá vontade de rir! é como aquele quadro que alguém joga uma tinta em cima, ou faz um cocô na tela, e todo mundo acha impressionante, por que é inovador, ou porque "todos estão falando bem", já que é ..."inovador": balela...você pode dizer sim, que não gostou e não entendeu, e ponto final!

Mas, também existem os fatores intrínsecos em se usar a metodologia científica dentro da acupuntura. Vejamos isto:

O uso da acupuntura data de cerca de dois mil anos antes de Cristo ou muito mais (não vem ao caso), não se sabe ao certo como iniciou ou como evoluiu, mas através de vários mestres e vários livros clássicos este conhecimento chegou até nós. Houve toda uma metodologia de estudo e transmissão de conhecimento para que esta prática chegasse até os dias atuais, e chegou, por isso devemos deduzir que a metodogia adotada foi eficiente. Talvez não fosse científica pelos moldes atuais, mas foi metódica em qualquer época do seu crescimento.

Será que seria muito dificil para um povo, ao longo de várias gerações, estabelecer relações entre o clima, as estações, os fenômenos naturais, o corpo humano, as doenças, e tantos outros "parâmetros" de um estudo científico, e criar formas de tratar a doença usando tudo isso?

Já naquela época sabia-se que o homem estaria integrado com a natureza e não poderia ser dividido e baseado nisso foi-se tentando explicar esse processo de cura. A teoria mais compreensível que nos foi apresentada é aquelas dos canais de energia e seus pontos de acessos, e que infelizmente muita gente tenta desbancar cientificamente, por não compreender sua essência.

A grande questão aqui é que o homem é por demais complexo e integrado a tudo a seu redor, que não pode ser dividido em pequenas partes. A genética hoje divide a todos nós em DNA e nos reproduz num laboratório usando estes famosos métodos científicos, mas no fundo, podemos perceber que ela está apenas copiando uma máquina, e que nada se integra com o que está ao seu redor. Ao criar uma bactéria para digerir petróleo derramado por navios, a genética resolve um problema e criar milhares de outros. Veremos que daqui a algumas centenas de anos, seremos incompatíveis com a vida na Terra, restando apenas para nós sair navegando pelo espaço dentro de uma nave, cercados de ciência, mas não de experiência viva: seremos peças vivas de museu.

Mais uma vez reforço aqui que muitos grupos de estudos já apontam para uma quebra de paradigmas, onde começamos já a perceber o homem como um ser espiritual, composto de pura energia e trocando essa energia com todas as outras formas de energia a sua volta. E é neste processo que se insere a acupuntura.

Se uma pesquisa científica não funcionou num grupo de estudo, isto, em acupuntura, não significa nada, pois as pessoas não são máquinas e nem são todas iguais dentro do esquema global de energia do planeta. Cada ser humano, cada coisa viva tem a sua energia pessoal e que também se deixa influienciar pela energia de quem a está tratando. Quando eu insiro uma agulha em um paciente, eu canalizo a minha energia, a do universo e a do próprio paciente para que este equilibrio se restabeleça entre todos os elos desta cadeia; o seu sistema energético aumenta, seu corpo entra em sincronia com o resto do que está a sua volta e este processo é muito individual, depende do dia, do estado de espírito, dependendo do paciente, do terapeuta, de quem está pensando nele. Você acha que isso tem comprovação científica? Este tipo de coisa não é para ser comprovado, é para ser experimentado apenas, pois é muito individual, e é também neste contexto que esse sistema de tratamento - a acupuntura - não se encaixa nos moldes da Medicina Ocidental atual.

A física quântica hoje aponta neste sentido, pois ela diz que ao estudarmos o ínfimo espaço da matéria concreta, com seus poderosos cíclotrons, chega-se a conclusão que não há nada la dentro, ou seja, dentro da mátéria não tem matéria, não tem nada, só tem energia, e mesmo assim, aquela energia só está lá quando você olhar para ela, pois se não olhar, só existirá a probabilidade de haver algo por ali - um princípio extramente relativista de Einstein -, então, como já escrevi outras vezes... quando eu acordar de manhã e pisar com meu pé direito no chão e disser: -hoje meu dia será bom! ... então eu terei meu dia bom, porque sou eu que escolho isso com minha mente; da mesma maneira, se eu colocar uma agulha no paciente e impulsionar a energia (De Qi) para ele, e ele receber essa energia... então ele ficará bom simplesmente porque existe todo um sistema compactuando para isto.

...IMAGINE O ESTRAGO QUE UM PLACEBO IRIA COLOCAR NESSE PROCESSO GLOBAL DE CIRCULAÇÃO DE ENERGIA?????