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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cristais Radiônicos na acupuntura - um projeto de pesquisa.

Cristais Radiônicos na Acupuntura – um projeto de pesquisa.

Um primeiro ensaio científico sobre metodologia de pesquisa na acupuntura.

Gosto de pensar que tenho um espírito livre – e me esforço para isto -, assim, quando tiver que fazer juízo de valores e expressar algum julgamento, terei o mínimo de vieses possível, talvez aquele oriundo apenas de meus próprios preconceitos e ignorância, não sendo necessário pedir autorização a ninguém para justificar minhas contradições, a não ser um único pedido de desculpas, formal, e minha palavra, que me esforçarei para fazer melhor da próxima vez.

Para uma melhor reflexão do que a ciência tem se tornado hoje, deixo transcrito abaixo as excelentes palavras de Beto Hoisel:

“A Ciência.

Nos últimos anos do século XX, surgiram e rapidamente se espalharam a suspeita e a constatação de que muito do que sempre se tinha considerado como prática científica isenta e imparcial, objetiva e precisa, não era bem assim. Um crescente volume de críticas e denúncias mostrou que grande parte do que se considera como ciência, ou científico, consiste no exercício de uma devoção muito semelhante à que se encontra nas seitas religiosas, que se multiplicam em torno dos inúmeros profetas que surgem com frequência. Conectadas ou não a interesses político-econômicos imediatos, três correntes ditas científicas dominaram o século passado, em torno de profetas surgidos no século anterior: o darwinismo, a psicanálise freudiana e o marxismo. Em nome da devoção a essas seitas, ou motivados por uma inércia cultura vinculada ao paradigma materialista, cientistas e intelectuais competentes desorientaram-se, entregando-se a procedimentos incompatíveis com a isenção que a ciência sempre alegou possuir. Este tipo de situação, em que muitos pesquisadores e trabalhadores da ciência se envolvem, fica mais grave quando os interesses financeiros ou políticos interferem.”

A ciência e o método científico, como instrumento para entender o funcionamento da vida, precisa ser repensado pelos seus próprios pesquisadores. Funciona relativamente bem se você pensar no universo como uma grande máquina, mas não funcionará corretamente se você pensar no universo como um grande pensamento, caminho este que parece ser o que a física das partículas anda descobrindo sobre a origem das coisas, incluindo entre as “coisas” o conceito de vida.

Vida (no sentido mais abrangente): todo sistema físico espacialmente localizado, mas termodinamicamente aberto, capaz de dissipar a entropia e apto a processar cumulativamente informação sobre si próprio e seu meio ambiente, em grau suficiente para tomar decisões. Em seus estágios mais primitivos, esses sistemas tomam decisões elementares apenas como reação a estímulos, o que não implica a presença de uma consciência. Mas a partir de certo nível crítico de complexidade interna, eles passam a ser capazes de colapsar a função de onda quântica (equação de Schrodinger), o que caracteriza o estágio onde surge, em sua forma embrionária, aquilo que legitimamente podemos qualificar de consciência. Entretanto, o que chamamos de consciência também se distribui segundo um espectro imensamente amplo, talvez tão extenso quanto o espectro eletromagnético, mas sua característica essencial é a capacidade de colapsar a função de Schrodinger nas suas proximidades, tornando reais possibilidades apenas potenciais. Hoisel Beto

A acupuntura, de acordo com o conceito exposto acima, não entende o corpo como uma máquina isolada, mas sim como estando em relação de equilíbrio com o meio externo, tanto que para você verificar o pulso de um paciente, precisará saber em qual estação do ano esteja, para um correto diagnóstico. Tendo em vista isto fica muito difícil fazer uma pesquisa científica na acupuntura e achar resultados coerentes com o que a medicina ocidental espera, pois a pesquisa atua dentro de certos limites impostos pelo paradigma da ciência atual, que vai contra o paradigma da medicina chinesa, que já conta com mais de três mil anos.

Mesmo assim, a cada ano, surgem mais e mais pesquisas dentro da acupuntura, com baixa qualidade metodológica para os padrões atuais, e normalmente trazendo resultados pouco significativos, encontrando, inclusive, resultados semelhantes a placebos.

O Brasil, terra de oportunidades e pioneirismos na área de saúde, conta com uma base científica muito rudimentar para acupuntura. Não temos sequer uma faculdade de Medicina Tradicional Chinesa, e nossos praticantes são oriundos de cursos técnicos livres ou cursos de pós-graduação de profissões da saúde; além disso, médicos – que exercem a medicina ocidental oficial no país – não entendem a filosofia da MTC e apenas usam a acupuntura como técnica auxiliar em seus tratamentos, baseados na ciência ocidental e no que entendem como saúde, desvirtuando toda essa racionalidade médica que é a acupuntura; e mesmo assim, ainda são eles que têm a última palavra sobre a acupuntura, na mídia informativa para as massas.

Mas, felizmente, vão surgindo algumas pérolas dentro dessas raras oportunidades e pioneirismos em nosso país, e dessa forma, trago aqui para o blog, um trabalho de sucesso que vem ganhando muito destaque e atenção em nosso meio: trata-se dos CRISTAIS RADIÔNICOS.

Para uma melhor compreensão do que sejam os Cristais Radiônicos, sugiro uma visita ao site do seu desenvolvedor, Prof. Raul Breves: http://www.medichina.com.br/paginas/cristais.php ou mesmo a inscrição em um de seus cursos para se aprofundar melhor nesta terapia.

Por ora, vamos esquecer um pouco do que seja a “terapia do bem”, que parece ter um forte apelo de merchandising, e vamos nos ater ao que realmente seja a técnica da “terapia por Cristais Radiônicos”.

Sumariamente eu diria que esta técnica usa pequenas esferas de cristais programadas via radiônica, que são adesivadas à pele do paciente para tratamento de problemas de saúde, e que agem de acordo com as teorias da acupuntura (da MTC) ou de acordo com as teorias mais modernas de microssitemas (ECIWO). O uso mais frequente desses cristais é exatamente no microssistema da orelha (auriculoterapia ou auriculoacupuntura) e é usado em conjunto com técnicas de Programação Neurolinguística (PNL), o que torna a terapia excelente para problemas de origem psicossomática.

Não existem ainda estudos científicos de grande vulto e de apurada metodologia para esta técnica, por isso, o que tenciono deixar aqui com meus escritos, é um delineamento metodológico para quem objetiva iniciar uma pesquisa científica para os cristais radiônicos. É intenção minha, também, iniciar uma discussão a respeito de qual seja a metodologia correta para a acupuntura e as práticas da MTC, mais especificamente no que diz respeito ao “poder da intenção” dentro dessas práticas e de como ela influência na metodologia aplicada ao seu estudo, coisa que pretendo ainda desenvolver oportunamente.

Antes de tudo, vamos analisar bem como esta terapia funciona, pois não se trata de apenas uma técnica de tratamento, mas sim, um conjunto que envolve:

1. Emissão radiônica para tratar o corpo;
2. Uso de cristais sobre a pele;
3. Técnicas de PNL para tratar a parte psíquica;
4. Aurículoacupuntura/aurículoterapia ou acupuntura sistêmica, conforme o caso.

Vou falar brevemente sobre cada uma delas, dentro do meu pequeno conhecimento sobre o assunto, para depois entrar na parte da pesquisa propriamente dita.

1. Emissão radiônica para tratar o corpo.

Desconheço o assunto e tudo que sei são os que os sites de internet trazem ao meu conhecimento, por isso, serei breve e sucinto, pois envolve técnicas que não estou familiarizado.

Radiônica tem a ver com a emissão de energia vibracional de uma pessoa usando um aparelho (com alguns modelos vendidos no mercado) que concentra a energia do usuário e a envia para uma outra pessoa, independente do meio ou da distância; tem finalidades curativas. Radiestesia, parece ser um conceito semelhante ao da radiônica quanto à transmissão de energia à distância, mas concentra-se muito nas formas gráficas.

A técnica não é nova pois a radiônica já é usada há muito tempo para tratar problemas de saúde, claro, “sem comprovação científica condizente”, tendo inclusive pessoas que já a utilizam com programação radiônica de pastilhas STIPER de silício, que são usadas sobre a pele, a exemplo dos cristais radiônicos; a programação das pastilhas, neste caso, também é feita usando um aparelho radiônico, tendo a vantagem de ser um tratamento mais orientado a cada caso e não trabalhando com frequência única. Na ausência de um aparelho radiônico, um pêndulo egípcio cumpre a mesma finalidade. Cristais ou pastilhas neste caso, podem inclusive serem desprogramados de sua informação radiônica.

Fechou aqui o que sei sobre este assunto, que não parece implicar muito quanto ao que pretendo desenvolver neste meu texto.

2. Uso de cristais sob a pele.

Cristais são substâncias minerais de diversos formatos encontradas na natureza que têm propriedades físicas singulares, entre as conhecidas, está a de receber um feixe de luz em um de seus lados e decompô-lo em um feixe de luzes componentes de outras frequências, em outro lado; tem também um efeito piezoelétrico, qual seja o de transformar vibrações mecânicas em suas faces e converter em corrente elétrica (e vice-versa).

Existe muita informação em sites dedicados sobre o uso terapêutico dos cristais, mas acredito que esse não é o caso, pois essa informação não é difundida pelo idealizador dos cristais radiônicos como metodologia da técnica, além do mais, não sabemos se os cristais são realmente cristais, se são plásticos/acrílicos ou se são apenas vidro, e que apenas recebem a denominação genérica de cristais para seu uso terapêutico quando da programação radiônica.

3. Técnicas de PNL para tratar a parte psíquica.

A programação neura-linguística (PNL), em palavras simples, ajuda você a usar seu cérebro afastando um pouco o temor de fobias, onde você acha que não pode fazer as coisas. É muito usada como forma de autoajuda em curso e palestras para empresas e comunidades, e também usada nos consultórios de psicologia, pois se baseia (i) na noção de Freud do inconsciente e a sua influência no pensamento e ação conscientes, (ii) também como no comportamento e linguagem metafóricos, especialmente baseado no método usado por Freud na Interpretação dos Sonhos e ainda (iii) na hipnoterapia, tal como a desenvolveu Milton Erickson. A PNL é também fortemente influenciada pelos trabalhos de Gregory Bateson e Noam Chomsky. Sua ênfase está em ensinar técnicas de comunicação e persuasão e a usar a auto hipnose para ajudar a automotivação e a auto mudança.

Dentro do conceito de PNL existe uma técnica chamada de “âncora”, que em termos muito simples poderíamos colocar assim:

“Cada pessoa tem uma história pessoal rica em estados emocionais. Para reviver esses estados, precisamos de um gatilho, ou seja, uma associação que nos permita evocar a experiência original. Nossa mente relaciona experiências naturalmente; é dessa maneira que damos significados àquilo que fazemos. Às vezes essas associações são muito agradáveis. É o caso, por exemplo, de uma música que traz à mente uma recordação agradável. Sempre que a pessoa ouvir aquela música, terá as mesmas sensações prazerosas. E sempre que isso acontecer, a associação se fortalece. Em PNL, o estímulo que está ligado a um estado fisiológico e que o faz disparar é chamado de “âncora”. Outros exemplos de âncoras positivas que ocorrem naturalmente são: fotografias favoritas, cheiros evocativos, a expressão ou tom de voz de uma pessoa querida. Em geral as âncoras são externas: o despertador toca, está na hora de levantar; a campainha da escola indica o final do recreio (âncoras auditivas); um aceno de cabeça significa um ´sim´ (âncoras visuais). (...)

ÂNCORA É QUALQUER COISA QUE DÊ ACESSO A UM ESTADO EMOCIONAL.” (O´Connor e Seymour, 1990)

Um terapeuta conversando com seu paciente e trazendo situações emotivas passadas para o presente e, por exemplo, dando um tapinha em sua testa, está usando o recurso da âncora, terapeuticamente.

Bem, estas técnicas são muito mais complexas de se explicar e exigem um estudo mais aprofundado, mas que podem ser sumarizadas em pequenos procedimentos automatizados para serem usados em conjunto com os cristais radiônicos, potencializando seus efeitos.

4. Auriculo-acupuntura/auriculoterapia, ou acupuntura sistêmica, conforme o caso.

Vários são os materiais que podem ser usados na aurículo-acupuntura/aurículoterapia, tais como sementes de mostarda, agulhas de diversos tipos e cristais, tais como os cristais radiônicos, que é o caso específico deste nosso estudo. Na aurículoacupuntura o cristal é colocado em cima de um ponto de acupuntura, tal como preconiza a MTC objetivando a regulação do Qi pelos canais, ou ainda usando a técnica de microssistemas para tratar reflexamente a parte do corpo com problemas, segundo a teoria de NOGIER; se a acupuntura sistêmica for o método escolhido, então os cristais são dispostos nos pontos sistêmicos de acordo também com as várias teorias da MTC sobre "escolha de pontos".

Em resumo, basicamente são três as técnicas envolvidas no uso dos cristais radiônicos que potencializam o tratamento do paciente em um único procedimento, que segundo seu autor e alunos/praticantes, tem eficácia comprovadas empiricamente em suas clínicas: programação radiônica de cristais, pontos de acupuntura (usando aurículoterapia/auriculoacupuntura e/ou acupuntura sistêmica) e técnicas de PNL.

Existe, segundo Raul Breves, criador da técnica, estudo com peixes e porcos no uso de cristais radiônicos, mas, que segundo meu ponto de vista, não têm muita credibilidade científica, pois não estabelecem uma relação de causa-efeito, não levando a lugar algum, estando ainda no rol das “curiosidades”.

Vou, a seguir, tentar estabelecer uma metodologia apropriada para os cristais radiônicos, tentando levar em consideração, oportunamente, essas experiências com porcos e peixes.


METODOLOGIA.

Seguindo uma linha de investigação coerente para os cristais radiônicos, (i) poderíamos tentar entender como eles funcionam e como eles agem no corpo, o que seria por demais trabalhoso, como explicado mais adiante; (ii) e também poderíamos evidenciar sua eficácia como aplicação terapêutica, para um determinado grupo de pacientes, caminho este muito mais fácil e prático, que é o que adotaremos.

Pesquisa na apuração da eficácia da técnica.

Nem sempre um acupunturista precisa saber em detalhes como determinado recurso funciona, e isto na MTC é bastante forte, pois as práticas da MTC vêm sendo repassadas há gerações através do conhecimento empírico e oral, de mestres para seus discípulos/alunos; mais modernamente temos informação complementar vinda de livros e base de dados, que deixa muito a desejar, se não houver ainda a transmissão oral de um mestre. Muito acertadamente a fonte original de um conhecimento empírico passa a ser o próprio mestre. Uma metodologia como esta que tento expor aqui visa tão somente reconhecer a eficácia desses tratamentos, sem tentar explicar quais mecanismos de cura ocorrem dentro do corpo, ou seja, como a técnica atua em detalhes nos seus processos bio-psíquicos de interação saúde-doença. Neste amplo sentido não existe necessidade daquele medo excessivo, por parte de alguns acupunturistas, de que a pesquisa científica não funciona, pois, em termos muito simples, uma pesquisa desse tipo vai me dizer assim: em 50 casos de dor no ombro, 80 por cento houve melhoras, comparado com 60 por cento de pacientes que tomam remédios e de 10 por cento que melhoraram sem tratamento algum, ou ainda fisioterapia ou outra técnica qualquer. Simples assim! O resto são artimanhas para dar “volume” a um trabalho, ou “melhorias” com vários termos técnicos, que raramente servem para alguma coisa, a não ser para enaltecer o ego de que a fez. Mas para que a pesquisa tenha credibilidade, necessário torna-se, que ela siga algumas regras básicas em sua metodologia.

Vamos separar alguns tópicos da pesquisa, que são muito importantes para uma boa metodologia, mas não se esquecendo de duas pequenas regras básicas:

- Quanto mais pacientes, melhor, pois assim a amostra fica mais significativa. O ideal é que usássemos uma população inteira para o estudo, mas como isso não é possível, usamos apenas uma amostra, mas que seja significativa daquela população;

- Não podemos dizer que cristais radiônicos funcionam para qualquer distúrbio, pois além de não ser ético, não é coerente; podemos, sim, ir testando cientificamente para cada uma das patologias (ou síndromes, quando adotamos terminologia da MTC) e ir reunindo cada vez mais informações sobre eficácia em várias patologias/síndromes; assim, quanto mais específica a patologia/síndrome, melhor, pois podemos separar com maior controle as principais variáveis (características) envolvidas no estudo.

1. Critérios de inclusão (quem pode participar da pesquisa)

1.1 – Pacientes

É preciso limitar a amostra a um grupo específico, como já foi dito acima (regras básicas) e, dentro deste grupo, escolher quais pacientes podem se sujeitar à pesquisa. Eu diria que o ideal seria trabalhar com as patologias apontadas para a medicina ocidental, em seus termos; pois se pegássemos, por exemplo, as síndromes de MTC, não haveria como filtrar os pacientes para a pesquisa, pois os pacientes nos são encaminhados, como deveria de ser, via médico do sistema oficial de saúde, e isso engloba conhecer e trabalhar com os termos da medicina ocidental.

Pacientes aceitos por patologias da medicina ocidental seriam então enquadrados, para tratamento, segundo as síndromes da MTC. Segue-se então a anamnese, escolha da melhor técnica, tratamento propriamente dito (com todo o acompanhamento de um estudo científico).

Ao término do tratamento/estudo científico, os resultados seriam convertidos para os termos da medicina ocidental, novamente, para serem divulgados com padronização específica, para posterior comparação com outros estudos.

Obs. Poderíamos, a título de curiosidade, tentar projetar um estudo deste para o futuro, baseado em termos da MTC. Acho impossível, no momento atual.

Dentro da visão de especificidade dos pacientes, poderíamos pensar em algo, tal como: pacientes com dores lombares; pacientes pós-artroscopia reparadora; pacientes com paralisia facial tipo frígore; pacientes para tratar depressão; pacientes para tratar insônia; etc. Se o grupo for suficientemente grande, poderíamos pensar ainda em mais especificidade, tais como: pacientes com dor lombar recidivante, de primeira ocorrência, que tomam remédios, que fazem atividade física, cuja dor dura mais de um mês, etc.

Para efeitos de estudo, quanto mais limitado seus pacientes, melhor, pois mais fácil será identificar os fatores que podem interferir no estudo (variáveis), então, melhor seria se você pudesse restringir seu grupo a uma determinada faixa etária, a um determinado sexo, a uma determinada profissão, a uma determinada patologia (em clinicas especializadas), a uma determinada região, etc. Claro que isso nem sempre é possível, mas que fique bem claro no seu trabalho, a porcentagem que cada categoria dessa representa na sua amostra.

Resumindo, o grupo de estudo poderia ser composto, por exemplo, de 50 pessoas que apresentam dor lombar recidivante, 80 porcento do sexo feminino, moram em Curitiba, faixa etária variável entre 35 e 50 anos, e que desejam se submeter ao tratamento com cristais radiônicos.

1.2 – Terapeutas.

A principio, faz-se uma pesquisa científica para descobrir como um evento ocorre em sua prática diária, e nesta prática diária vemos um terapeuta (com qualquer designação profissional que possa ter), com curso de cristais radiônicos, entre outras técnicas que possa ser capaz de aplicar devido a sua profissão, e aplicando este método em sua clínica, atendimento domiciliar ou hospital, no paciente que o procura para resolver seu problema.

Assim sendo, qualquer terapeuta que tenha o curso de cristais radiônicos, e que seja orientado sobre como proceder para um estudo científico, poderá fazer parte deste experimento, exceto os casos listados nos “critérios de exclusão”.

2. Critérios de exclusão (quem não pode participar da pesquisa)

2.1 – Pacientes.

Como vamos fazer um estudo comparado, devemos afastar qualquer paciente que esteja usando outra forma de terapia do nosso grupo de estudo, tais como pacientes que estejam tomando remédios, pacientes que estejam usando florais, fisioterapia, etc; o grupo de estudo não deve usar nem um recurso terapêutico a não ser o tratamento por cristais radiônicos; todo o restante de pacientes listado acima poderá fazer parte de outros grupos, os grupos-controle, como falarei mais adiante, excluindo o grupo que usa placebo.

Existe uma série de fatores que influenciam positiva ou negativamente qualquer estudo, quando nos baseamos nos princípios da física quântica orientados à terapêutica - onde vivemos num mundo de energia -; temos então pacientes que já vêm conhecendo os cristais radiônicos onde nem uma terapêutica anterior surtiu efeito (cheio de esperanças, onde bastaria apenas um “oi” do terapeuta para ele ficar curado) ou pacientes que são céticos quanto a terapias complementares, e tudo isso interfere no estudo, mas isso é por demais difícil de excluir do estudo, e também será tema de um outro texto meu, coisa então que não devemos nos preocupar, no momento.

2.2 – Terapeutas

Qualquer terapeuta que possa influenciar positiva ou negativamente no resultado da pesquisa deverá ser excluído, e cito aqui, principalmente, os professores e alunos dos cursos de cristais radiônicos.

É até meio óbvio de se entender, que os alunos não querem desagradar ao seu orientador, não querem tirar notas baixas, têm um profundo respeito pelo curso, etc – provavelmente não conduziriam uma pesquisa deste porte, com total isenção;

Os mestre, por motivo semelhante, fariam tudo para provar que os cristais radiônicos funcionam, afinal, é seu ganha-pão.

Para uma pesquisa, tanto faz se uma terapêutica funciona ou não, e o importante é a evidência que se obtém com o estudo (positiva ou negativa).

O ideal é que o estudo estivesse longe das escolas de formação, mas acredito que isso é impossível no atual momento de desenvolvimento da técnica, então resta-nos apontar nitidamente este fato “como um VIÉS” de pesquisa. Depois de publicado o resultado da pesquisa, deixaremos então para quem vai se utilizar dela, fazer um julgamento de credibilidade quanto a este VIÉS.

3. Amostra.

Como já disse acima, o ideal é que usássemos uma população inteira para o estudo, mas como isso não é possível usamos apenas uma amostra, mas que seja significativa daquela população; e para que uma amostra seja realmente significativa de uma população, precisaríamos contar com a ajuda de um bioestatístico, para que ele nos orientasse melhor de como realizar esta amostragem. Dessa maneira, poderíamos tranquilamente fazer uma inferência para uma população dos resultados que conseguíssemos para aquela amostra, ou seja, se cristais radiônicos são eficientes o dobro de vezes para tratar uma enxaqueca no nosso grupo de estudo, comparado, por exemplo, com acupuntura sistêmica, essa proporção se repetiria para uma dada população.

Mas, claro, isso não é possível fazer e então acabamos trabalhando com o que dispomos, sem fazer inferência alguma, mas apenas aumentando estatisticamente o volume de pesquisas que apontam boa eficácia (ou não) da técnica, em pequenos grupos.

O lugar mais adequado para estas pesquisas deveria ser um hospital pelo fato de haver grande quantidade de pacientes (população para amostragem). Os acupunturista brasileiros que não são médicos, e que são a grande maioria, ainda não trabalham dentro de hospitais por vários motivos (reserva de mercado, preconceito profissional , legislação proibitiva, etc), o que realmente não vem ao caso aqui. A solução mais plausível, então, passa a ser as clinicas particulares de atendimento, de preferência aquelas clínicas especializadas em certas síndromes, pois estas síndromes serão o que chamamos de “população” para o nosso estudo, e será dentro desta população, que vamos escolher uma determinada amostra para estudo. Veja, isso não é “holístico” e vai contra a filosofia da MTC, mas para efeitos de pesquisa científica no Brasil, parece aceitável.

Existem muitos trabalhos, cheios de referências, que falam exaustivamente de como se fazer corretamente uma amostragem, ou mesmo outros tópicos deste meu texto; minha intenção não é abordar os detalhes técnicos de tal processo, mas tão somente levantar os fatos que podem ter uma importância significativa e diferenciada para o acupunturista, e explorar alguns pontos obscuros, quanto à pesquisa que não apresenta coerência com a filosofia da MTC.

4. Grupos de Controle

Num estudo científico os grupos de controle servem para que se teste alguma variável, de cada vez, em comparação a uma outra variável que pertence a um grupo diferente. Assim podemos testar se aquela variável está fazendo o efeito desejado no experimento, pois está sendo comparada a um outro grupo, que não usa aquela variável.

Particularmente, acho a escolha de variáveis como sendo a etapa mais importante na elaboração de um estudo científico. É preciso escolher com sabedoria a variável que queremos para cada grupo de controle e de quantos grupos serão necessários para termos um resultado significativo.

No caso dos cristais radiônicos, a minha pergunta básica que orientaria toda a minha pesquisa poderia ser: “qual a eficácia dos cristais radiônicos (CR) para tratar lombalgia?”. Veja, se eu simplesmente perguntar se CR funcionam eu vou deixar o campo de pesquisa muito amplo para qualquer doença; se eu perguntar como funcionam, terei que desmembrar a técnica em seus diversos componentes (radiônica, auriculoterapia, acupuntura sistêmica, programação neuro-linguística, etc), que também se torna muito amplo, e sem finalidade, pois cada componente é um tratamento per si.

Então, o mais coerente seria testar os CR em um grupo que apresenta uma única patologia. seria o meu grupo de estudo. Neste grupo de estudo estariam amostras de uma população que seria composta de pacientes com lombalgias (se eu tiver muitos pacientes poderia até fechar mais este estudo em certas lombalgias) e que não receberiam qualquer outro tipo de tratamento, ou seja, não poderiam estar se medicando (o que seria muito difícil), não poderiam estar fazendo fisioterapia, ou qualquer outra terapia.

Se os pacientes fossem recrutados de uma clínica médica seria muito difícil não estarem tomando algum tipo de remédio e neste caso, poderíamos testar pacientes que estão apenas tomando determinada medicação, estudo este que seria muito limitado então em seus resultados sobre CR.

Mas existem casos em que os pacientes vãos direto para uma clínica de acupuntura sem encaminhamento médico, pois já estão saturados de tanto remédio, sem que estes surtam bons resultados. Pacientes assim, não fazem uso de medicação e poderiam ser recrutados para o estudo que ora propomos.

Vemos então como é difícil recrutarmos pacientes para compormos a amostra de um estudo científico, por isso que muitos profissionais simplesmente usam a técnica, sem esperarem pela comprovação científica, pois ela é muito difícil de realizar, e também cara de se implementar. Ou então vemos surgir esses estudos que populam nossas revistas científicas, cheios de vieses e tendências perniciosas, muito frequentes na indústria farmacêutica, e um exemplo muito comum são os testes que são feitos com as drogas com apenas dois anos de duração e em uma amostra retirada de uma população que não condiz com a realidade local de onde o medicamento será usado e também eliminando uma série de variáveis do estudo (nas bulas de medicamentos vemos isso rotineiramente: este medicamento não poderá ser usado em tais e tais pacientes, pois não foram testados, bla, bla e bla.); resultado: depois de alguns anos estes medicamentos estarão sendo retirados do mercado, pois mais estudos científicos encontraram evidências que eles fazem mal à saúde – mais mal do que bem.

...VAI CONTINUAR...


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os paradigmas da ciência atual e a acupuntura.

Eu gostaria de colocar aqui minha opinião sobre o significado de "paradigma", mas Palas Athena o coloca tão bem, que se torna impossível não o reproduzir aqui com as suas exatas palavras:

"Visto com benevolência, um paradigma pode ser definido como uma constelação de pressupostos e crenças, escalas de valores, técnicas e conceitos compartilhados pelos membros de uma determinada comunidade científica num determinado momento histórico. Com alguma mordacidade, um paradigma pode também ser visto como o conjunto de procedimentos consagrados, vícios de pensamentos e bloqueios lógico-metafísicos, que obrigam os cientistas de uma determinada época a permanecer confinados ao âmbito do que definiram como seu universo de estudo, e seu respectivo espectro de conclusões adredemente admitidas como plausíveis.

Thomas Kuhn mostrou como os paradigmas determinam a priori o que pode ou não ser aceito como verdadeiro numa determinada época da história da ciência. A fidelidade a um paradigma tem levado sistematicamente respeitáveis pesquisadores a rejeitar segmentos inteiros daquilo que vivenciam, a negar resultados evidentes de seus próprios experimentos, ou a neglicenciar fatos e possibilidades que não escapariam a um juizo ou a um olhar menos comprometidos.

Embora a aderência a um dado paradigma seja indispensável a qualquer empreendimento científico sério, a consequência de um compromisso rígido com seus limites rígidos é bloquear - como frequentemente bloqueia - a interpretação de fatos que fogem ao campo do que o paradigma preestabeleceu como aceitável. Como a totalidade oferece variados e complexos aspectos à observação e à inteligibilidade, o que resulta da adoção não-crítica de um paradigma é o alijamento de continentes inteiros da vivência e da experiência humanas como inadequados a uma abordagem científica. Outra consequência da adoção irrestrita de um paradigma é o estabelecimento de formas específicas de questionar a natureza, limitando e condicionando previamente as respostas que esta nos fornecerá. Um alerta já nos foi dado por Heisenberg quando mostrou que, nos experimentos científicos, o que vemos não é a natureza em si, mas a natureza submetida ao nosso modo peculiar de interrogá-la."

Um exemplo do problema exposta acima, segue abaixo.

Quando você está andando sobre um trilho de trem, apenas dois pontos lhe interessam: latitude e longitude; quando você está sobrevoando uma localidade, mister se faz conhecer também a altitude; a estas coordenadas físicas foi adicionado por Einstein, o "tempo", no que se costuma chamar "espaço-tempo"; mas de qualquer forma este tempo ninguém consegue explicar satisfatoriamente o que seja, pois cito aqui algumas experiências ligadas ao tempo que não têm explicação científica:

Veja o exemplo de algumas premonições famosas registradas tão-somente pela criação literária:

"Como pode Jonathan Swift prever, nas Viagens de Gulliver, que o planeta Marte tinha duas luas, e que estas giravam uma em sentido contrário da outra, mais de um século antes que a ciência descobrisse? Como soube Julio Verne, na sua Viagem à Lua, com uma antecipação equivalente à de Swift, que a conquista da Lua seria feita por um veículo americano, tripulado por três homens, que sairia da Flórida para uma viagem de três dias e no seu retorno cairia no mar? E como foi que H. G. Wells, em sua novela The World Set Free, descreveu uma guerra que seria travada nos anos 50, em que bombas atômicas do tamanho de uma bola de futebol seriam lançadas de aviões e teriam poder explosivo suficiente para destruir uma cidade inteira? Isto em 1913, quando não se tinha ideia do que fosse uma reação em cadeia nem se sabia que o átomo podia ser desintegrado, liberando uma energia fantástica. E, finalmente, para não nos estendermos demasiado na enumeração desses fatos, como foi possível que o obscuro escritor norte-americano Morgan Robertson, em seu romance denominado Futility, de 1898, descrevesse o naufrágio de um grande navio denominado Titan, que afundava em sua viagem inaugural entre a Inglaterra e os Estados Unidos pelo choque com um iceberg, com centenas de mortos em consequência da falta de barcos salva-vidas? Essa obra descrevia com tal riqueza de detalhes o navio, a viagem e o que veio a acontecer em 1912 com o naufrágio do Titanic, que deveria ser objeto de profundas ponderações por parte de qualquer pessoa que se proponha a estudar seriamente o que seja o tempo."

A matemática, elegantemente, acrescentou o zero em suas contas, quando descobriu que precisa de um símbolo para representar o resultado da subtração de dois números iguais. Depois criou os números fracionários quando precisou especificar a divisão de dois números quando o resto não era um inteiro. Criou os números negativos para representar bi-polaridades. Depois criou um número imaginário para representar a raiz quadrada de um número negativo. E criou tantas outras coisas, que só fazem sentido no uso da matemática per si.

Traçando um paralelo com a matemática, então, conseguimos delimitar muito bem o nosso espaço físico de três dimensões; mas a teoria da relatividade agregou matematicamente uma nova variável, de forma que temos agora 3 dimensões de espaço e uma de tempo - o que soa um tanto estranho -, pois se tivéssemos 3 variáveis de espaço e três variáveis também de tempo, talvez os eventos dos exemplos acima pudessem ter uma explicação mais lógica dentro da então não-linearidade do tempo.

O exemplo do tempo é um dos problemas que o paradigma da ciência atual enfrenta.

E na acupuntura?

Nossa ciência atual diz que os elétrons fluem por dentro de nervos, levando estímulos para todo o corpo e provocando reações físico-químicas, que se transformam em efeitos fisiológicos. Esta mesma ciência não consegue aceitar que existam canais invisíveis pelo corpo no qual circula uma energia chamada Qi e que está em harmonia com o restante do espaço a sua volta. Dentro do seu paradigma atual, esta ciência faz perguntas pré-elaboradas para encontrar respostas que sua mente cartesiana aceita sem tantos traumas. Então, neste contexto, ela descobre que uma agulha de acupuntura estimula nervos, que por sua vez liberam substâncias, que em última estância produzem analgesia. Claro, agora fica bem mais fácil de aceitar e comprovar cientificamente a acupuntura; mas então deixou de ser acupuntura, não é mesmo?